Você já ouviu falar em biópsia de próstata?

Você já ouviu falar em biópsia de próstata?

O exame que confirma ou descarta o câncer mais comum entre os homens brasileiros ainda é cercado de dúvidas

O câncer de próstata é o tipo de tumor mais incidente entre os homens no Brasil, excluindo o câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa foi de mais de 70 mil casos novos por ano no triênio 2023-2025.

São, em média, quase 200 diagnósticos por dia. E apesar de a doença ter chances de cura que chegam a 90% quando detectada cedo, muitos homens chegam ao consultório tarde demais.

Entre esses exames, um costuma gerar dúvidas, resistência e, não raro, um medo desproporcional ao procedimento em si: a biópsia de próstata. Entender o que ela é, por que é indicada e o que esperar antes, durante e depois faz uma diferença real na decisão de investigar a saúde.

O que é a biópsia de próstata

A biópsia é o único método capaz de confirmar, com certeza, a presença de câncer na próstata. O procedimento consiste na retirada de pequenas amostras de tecido da glândula, que são enviadas a um laboratório de patologia para análise microscópica. Nenhum outro exame, isoladamente, fecha esse diagnóstico.

A investigação costuma começar antes da biópsia. O médico urologista solicita o exame de PSA (antígeno prostático específico), dosado no sangue, e o toque retal. Quando esses resultados apontam alterações, ou quando o ultrassom transretal identifica nódulos suspeitos, é indicado a biópsia. Em muitos casos, a decisão é reforçada por uma ressonância magnética multiparamétrica da próstata, que ajuda a direcionar a coleta com mais precisão.

A biópsia de próstata é indicada quando há alteração no PSA, toque retal com irregularidades ou nódulos identificados no ultrassom. É o único exame que fornece a confirmação histológica, ou seja, a análise do próprio tecido da glândula. Sem ela, não há diagnóstico definitivo“, afirma o Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).

Como o procedimento é realizado

Há duas vias principais de acesso para a biópsia de próstata: a transretal e a transperineal. Na técnica transretal, que é a mais difundida no Brasil, uma sonda de ultrassom é introduzida pelo ânus para visualizar a próstata em tempo real. Uma agulha é então guiada pela sonda para retirar, em geral, 12 fragmentos de tecido da glândula. O procedimento é feito com o paciente deitado de lado, com os joelhos flexionados, sob anestesia local ou sedação.

Na técnica transperineal, a agulha é inserida pela pele do períneo, região entre o escroto e o ânus, sem passar pelo reto. Essa via reduz de forma significativa o risco de infecção, já que evita o contato com a flora bacteriana intestinal. Estudos indicam que a abordagem transperineal apresenta taxa de detecção superior à transretal e praticamente elimina complicações como hemorragia retal.

Nos dois casos, o ultrassom é o exame que guia o procedimento, sendo possível ainda combinar suas imagens com as da ressonância magnética em tempo real, técnica conhecida como fusão de imagens. Essa fusão permite localizar lesões que poderiam passar despercebidas em abordagens convencionais.

O ultrassom guiado por imagem é fundamental para a precisão da biópsia de próstata. Com a fusão, conseguimos trabalhar com uma acurácia muito maior, especialmente em tumores localizados em regiões de difícil acesso“, diz o Dr. Mekhitarian.

O procedimento, com anestesia, dura entre 10 e 30 minutos. Não exige internação: o paciente vai para casa no mesmo dia.

O que esperar antes, durante e depois

Antes da biópsia, o médico costuma solicitar exames de rotina, como hemograma, coagulograma e urocultura. Anticoagulantes e anti-inflamatórios são suspensos por volta de sete dias antes do procedimento. Para a biópsia com sedação, é necessário jejum de oito horas.

Durante o exame, com anestesia, o desconforto é pequeno. A maioria dos pacientes descreve a experiência como tolerável.

Depois, é comum aparecer sangue na urina, nas fezes ou no sêmen nos primeiros dias. Esse sangramento é esperado e cede sozinho. O repouso de dois dias é suficiente para a maioria dos casos, mas atividade física intensa e relações sexuais devem ser evitadas por ao menos uma semana.

Os sinais que exigem atenção imediata são febre, calafrios e sangramento persistente ou intenso. Nessas situações, o paciente deve procurar atendimento.

O resultado fica pronto, em média, em 7 a 10 dias úteis. Em casos mais complexos, que exigem estudos adicionais, o prazo pode se estender para até 14 dias.

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Fontes:

Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534

Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Acesso em 28 de maio de 2026. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/estimativa-2023-incidencia-de-cancer-no-brasil

Estatística para câncer de próstata. Instituto Oncoguia. Acesso em 28 de maio de 2026. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatistica-para-cancer-de-prostata/5852/288/

Biópsia para diagnóstico do câncer de próstata. Instituto Oncoguia. Acesso em 28 de maio de 2026. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/biopsia-para-diagnostico-do-cancer-de-prostata/1201/289/

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