Da vesícula biliar ao fígado, o ultrassom de abdômen é um dos exames mais pedidos na rotina médica, mas poucos pacientes sabem exatamente o que ele avalia
É comum o paciente sair do consultório com o pedido de “ultrassom de abdômen total” na mão e pouca ideia do que aquilo realmente significa. Às vezes o pedido vem sozinho, às vezes acompanhado de elastografia hepática, e a dúvida é sempre parecida: para que serve cada parte do exame e por que às vezes um complementa o outro?
O que o ultrassom de abdômen avalia
O ultrassom de abdômen total analisa, numa única sessão, órgãos como fígado, vesícula biliar, vias biliares, pâncreas, baço, rins e, dependendo da indicação clínica, a aorta abdominal. É um exame não invasivo, sem radiação, e costuma ser a porta de entrada para investigar dores abdominais sem causa definida, alterações em exames de sangue ou acompanhamento de doenças já diagnosticadas.
Na vesícula biliar, por exemplo, o exame tem alta precisão para identificar cálculos, um achado bastante frequente, principalmente em mulheres e em pessoas com obesidade ou histórico familiar da condição.
No fígado, o ultrassom consegue detectar alterações estruturais como cistos, nódulos e sinais de infiltração de gordura, o que chamamos de esteatose hepática.
Ultrassom de abdômen e a gordura no fígado
É justamente aí que mora um dos achados mais frequentes da rotina radiológica atual. A prevalência global da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, antes chamada de doença hepática gordurosa não alcoólica, saltou de cerca de 25% entre 1990 e 2006 para aproximadamente 38% entre 2016 e 2019, segundo dados publicados pela Revista da Federação Brasileira de Gastroenterologia. A América Latina lidera esse ranking, com prevalência estimada em 44,3%, à frente de regiões como América do Norte. Projeções indicam que, mantido o ritmo atual, a prevalência mundial pode chegar a 55,7% em 2040.
“Grande parte desses pacientes recebe o diagnóstico de forma incidental, num ultrassom de abdômen pedido por outro motivo. A pessoa não sabia que tinha gordura no fígado até fazer o exame por outra razão“, afirma Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).
Quando a elastografia hepática entra no exame de abdômen
O ultrassom convencional identifica bem a presença de gordura no fígado, mas tem limitação importante: não mede o grau de fibrose, ou seja, o quanto o tecido hepático já foi cicatrizado pela doença. É aqui que entra a elastografia hepática, uma técnica que mede a rigidez do fígado por meio de ondas de cisalhamento e converte esse dado em um escore de fibrose.
Até poucos anos atrás, essa avaliação dependia quase exclusivamente da biópsia hepática, procedimento invasivo que exige repouso e traz riscos como sangramento e dor. Hoje, a elastografia pode ser usada como acompanhamento da fibrose em pacientes com doença hepática crônica, reservando a biópsia para situações mais específicas, como suspeita de tumor ou hepatites de evolução atípica.
“A elastografia não substitui a biópsia em todos os casos, mas evita boa parte delas. Para o paciente com esteatose, ela permite acompanhar a evolução da doença de forma segura, sem dor e sem necessidade de internação“, explica Dr. Mekhitarian.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Doença hepática esteatótica metabólica (MASLD/MASH): diretrizes para manejo no Brasil. Revista da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), 2025. Acesso em 12 de julho de 2026. Disponível em: https://fbg.org.br/revista-fbg/2025/10/03/doenca-hepatica-esteatotica-metabolica-masld-mash-diretrizes-para-manejo-no-brasil/
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