Sete cuidados que você deve ter ao levar seu filho autista para fazer exame de imagem
Preparação prévia, comunicação com a equipe e, em alguns casos, sedação controlada: entenda como tornar o procedimento menos estressante para a criança e para a família
Marcar um exame de imagem para um filho já traz algum grau de preocupação para qualquer pai. Quando a criança tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), o desafio ganha outras dimensões. O barulho do equipamento, a luminosidade artificial, o ambiente desconhecido, o contato com estranhos — tudo isso pode desencadear uma sobrecarga sensorial e tornar o que seria um procedimento de rotina numa experiência difícil para toda a família.
No Brasil, 2,4 milhões de brasileiros declararam ter recebido diagnóstico de TEA por algum profissional de saúde, segundo dados do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo IBGE — a primeira vez na história em que o país conta com um número oficial sobre o tema.
O número representa 1,2% da população residente no país. Entre as crianças, o dado é ainda mais expressivo: na faixa etária de 5 a 9 anos, 2,6% foram identificadas com TEA, o que equivale a 1 em cada 38 crianças.
Com esse universo de famílias em foco, a pergunta que se repete nos consultórios e grupos de apoio é: o que fazer para que o exame de imagem transcorra bem? Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI), tem uma resposta que começa muito antes da chegada ao serviço de saúde. “O ideal é que os pais conversem com a criança de forma clara sobre o que vai acontecer, usando linguagem simples e, se possível, recursos visuais“, afirma.
Por que a preparação faz diferença
De acordo com a Associação Brasileira de Integração Sensorial (Abis), pelo menos 30% das pessoas com TEA apresentam algum grau de disfunção sensorial. Isso significa que sons altos, luzes fortes, cheiros e toques inesperados podem ser percebidos de forma muito mais intensa do que em crianças neurotípicas — exatamente os elementos que compõem um ambiente de imagem diagnóstica.
Estudos identificaram quatro padrões de resposta sensorial no TEA: busca sensorial, baixo registro, sensibilidade sensorial e “evitação” sensorial. Cada um deles pode se manifestar de maneira diferente diante de um aparelho de tomografia ou de um aparelho de ultrassom. Conhecer o perfil do seu filho é o primeiro passo para uma abordagem mais eficaz.
Por isso, elencamos os sete cuidados que se deve ter na hora de levar seu filho autista para fazer algum exame. Confira abaixo!
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Antecipe a rotina do exame com recursos visuais
Crianças com TEA, em geral, lidam melhor com situações que já conhecem ou que foram apresentadas de forma previsível. Nos dias anteriores ao exame, explique o que vai acontecer com linguagem direta e simples. Imagens, vídeos curtos e até encenações com brinquedos ajudam a criança a criar uma representação mental do ambiente. Quanto menos surpresas, menor o risco de uma crise no dia.
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Comunique a equipe com antecedência
Ligue ou envie uma mensagem ao serviço de imagem antes da consulta. Informe que seu filho tem TEA, descreva os principais gatilhos sensoriais dele — barulho, toque, iluminação — e pergunte se há algum protocolo de atendimento adaptado. Essa comunicação prévia permite que a equipe organize o atendimento de forma mais adequada e, muitas vezes, garante um horário com menor fluxo de pessoas e ruído.
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Chegue com antecedência e permita a familiarização
A chegada apressada e o contato imediato com o equipamento costumam ser um dos maiores fatores de estresse. Dr. Mekhitarian recomenda o caminho oposto: “Recomendamos que os pais cheguem com antecedência para que a criança se familiarize com o ambiente. Permitir que ela toque no equipamento, quando seguro, e explicar cada etapa do processo ajuda muito“.
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Leve os objetos de conforto do seu filho
Brinquedo favorito, cobertor, fone de ouvido com cancelamento de ruído, um item específico que a criança usa para se autorregular — leve tudo o que puder. “Se a criança tem objetos de conforto, é fundamental que possa levá-los“, destaca o radiologista.
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Mantenha um adulto de referência próximo durante o exame
Sempre que o protocolo do exame permitir, é importante que um familiar ou cuidador de referência fique junto à criança. A presença de alguém conhecido reduz a ansiedade e oferece segurança emocional. Converse com a equipe sobre essa possibilidade antes do procedimento.
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Peça para a equipe evitar movimentos bruscos e comunicação excessiva
Instrua os técnicos e o médico radiologista a se aproximarem da criança com calma, a usar um tom de voz tranquilo e a evitar comandos simultâneos ou falas em excesso. Para muitas crianças no espectro, o volume e a velocidade da comunicação verbal são tão perturbadores quanto o barulho do equipamento.
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Saiba quando considerar a sedação
Quando as estratégias comportamentais não são suficientes, a sedação controlada é uma alternativa clínica segura. A sedação se mostra como um elemento benéfico e eficaz em pacientes com TEA, além de possuir mínimo risco à saúde do paciente, o que proporciona segurança ao seu uso, promovendo a realização de um atendimento confortável e com tranquilidade.
“A sedação não deve ser vista como fracasso da preparação, mas como ferramenta médica que garante a qualidade do exame e reduz o estresse de todos os envolvidos“, diz Dr. Mekhitarian. A decisão deve ser tomada em conjunto com o médico assistente da criança e o especialista responsável pelo exame.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Cerca de 2 milhões de pessoas vivem com o autismo no Brasil. Sociedade Brasileira de Pediatria. Acesso em 20 de junho de 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/cerca-de-2-milhoes-de-pessoas-vivem-com-o-autismo-no-brasil/
Brasil conhece, pela 1ª vez, seu número oficial de diagnóstico de autismo: 1 em 38, segundo IBGE. Acesso em março de 2026. Disponível em: https://www.canalautismo.com.br/noticia/brasil-conhece-pela-1a-vez-seu-numero-oficial-de-pessoas-com-diagnostico-de-autismo-1-em-38
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