Quando é hora de se preocupar com as pintas na pele
Saiba o que observar, quando consultar um especialista e por que pessoas de pele escura também precisam ficar atentas
Quase todo mundo tem pintas no corpo. A grande maioria é completamente benigna, mas algumas podem ser o primeiro sinal de um melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele, capaz de se espalhar para outros órgãos se não for tratado a tempo. O problema é que poucas pessoas sabem exatamente o que observar e, menos ainda, quando agir.
O câncer de pele não melanoma é o tumor maligno mais frequente no Brasil. Segundo a publicação Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgada em fevereiro deste ano, o país deve registrar 263 mil novos casos desse tipo por ano no triênio — o que corresponde a mais de 30% de todos os diagnósticos oncológicos.
Já o melanoma, embora responda por apenas 3% a 4% dos tumores cutâneos, preocupa pela mortalidade: quando detectado tardiamente, as chances de cura caem de forma acentuada.
O que a regra do ABCDE diz sobre as suas pintas na pele
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a American Cancer Society adotam há décadas o método ABCDE como guia para identificar lesões suspeitas. Simples e didático, ele pode ser aplicado por qualquer pessoa durante o autoexame em casa.
O “A” é de Assimetria: pintas benignas são geralmente simétricas. Se ao dividir mentalmente o sinal ao meio as duas partes forem muito diferentes, vale ficar atento.
O “B” é de Borda: contornos irregulares, recortados ou mal definidos são sinais de alerta.
O “C” é de Cor: lesões com mais de uma tonalidade que misturam preto, marrom, branco, vermelho ou azul na mesma pinta merecem avaliação.
O “D” é de Diâmetro: pintas com mais de 5 ou 6 milímetros exigem atenção, embora o melanoma possa começar menor.
E o “E” é de Evolução: qualquer mudança de tamanho, forma ou cor em um período curto de tempo é motivo suficiente para consultar um dermatologista.
Além dessas características, lesões que sangram, coçam, doem ou não cicatrizam em quatro semanas também precisam ser avaliadas por um profissional. O autoexame é útil, mas não substitui o olhar clínico especializado e o diagnóstico precoce do melanoma pode elevar as chances de cura a mais de 90%.
A recomendação geral é consultar um médico dermatologista pelo menos uma vez por ano. Para pessoas com maior risco — pele clara, histórico pessoal ou familiar de melanoma, mais de 50 pintas no corpo ou nevos atípicos —, as consultas podem ser mais frequentes, a cada três ou seis meses, conforme orientação médica.
Quando o ultrassom entra em cena
Para situações que exigem mais informação antes de uma decisão cirúrgica, pode ser recomendado o ultrassom dermatológico de alta frequência. O exame usa ondas sonoras de alta frequência para criar imagens detalhadas das camadas internas da pele, ajudando a diferenciar lesões benignas de malignas e a medir a profundidade de infiltração do tumor.
“Com o ultrassom, conseguimos medir a espessura do tumor e verificar se ele está se espalhando para tecidos mais profundos ou linfonodos próximos“, afirma Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).
“Isso é fundamental para o estadiamento do melanoma e para decidir se será necessário um tratamento cirúrgico mais extenso ou outras formas de terapia“. Segundo ele, em muitos casos, a informação obtida com o ultrassom dermatológico pode evitar biópsias desnecessárias e permitir um acompanhamento mais direcionado das lesões.
Quando há necessidade de confirmação diagnóstica, a biópsia (que pode ser guiada por ultrassom) é o exame definitivo. A amostra é analisada em laboratório de anatomia patológica, que identificará ou descartará a presença de células cancerosas.
Pele escura não é imune
Existe um equívoco perigoso e persistente: o de que pessoas negras não desenvolvem câncer de pele. A crença tem uma base biológica incompleta — a melanina oferece certa proteção natural contra os raios ultravioleta, mas não é uma barreira absoluta.
Negros e brancos têm a mesma quantidade de melanócitos. O que difere é a produção de melanina: maior em peles escuras, o que reduz — mas não elimina — o risco oncológico. Segundo dados do Instituto Oncoguia, o risco de desenvolver melanoma ao longo da vida é de cerca de 3% em pessoas brancas, 0,5% em hispânicos e 0,1% em negros. Menor, portanto — mas real.
O tipo mais comum de melanoma em pessoas negras é o melanoma acral lentiginoso, que se manifesta nas palmas das mãos, solas dos pés, dedos e região ungueal — áreas que recebem pouca exposição solar e que raramente são inspecionadas.
Estudos mostram que pacientes negros têm mais de três vezes mais chances de serem diagnosticados com melanoma em estágio avançado do que pacientes brancos, o que piora substancialmente o prognóstico. A taxa de sobrevida em cinco anos para pessoas negras com melanoma é de 70%, contra 94% entre pacientes brancos — uma diferença que reflete, em grande parte, o atraso no diagnóstico.
A baixa percepção de risco é a principal barreira. Por isso, o autoexame e a consulta periódica ao dermatologista são recomendações universais, independentemente do tom de pele.
Os fatores de risco para o melanoma incluem: pele, olhos e cabelos claros; histórico de queimaduras solares — especialmente na infância e adolescência; exposição crônica ao sol sem proteção; uso de câmaras de bronzeamento artificial; histórico familiar da doença; presença de nevos atípicos; imunossupressão; e número elevado de pintas no corpo. A combinação de exposição solar intensa e predisposição genética aumenta substancialmente as chances de desenvolvimento do tumor.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2026/inca-estima-781-mil-novos-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-entre-2026-e-2028
ONCOGUIA. Estatística para câncer de pele melanoma. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatistia-para-cancer-de-pele-melanoma/7066/186/
GRUPO BRASILEIRO DE MELANOMA (GBM). O Melanoma. Disponível em: https://gbm.org.br/o-melanoma/
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA – Seção RS (SBD-RS). Autoexame do ABCDE ajuda no diagnóstico de câncer de pele melanoma. Disponível em: https://sbdrs.org.br/autoexame-do-abcde-ajuda-no-diagnostico-de-cancer-de-pele-melanoma/
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