O Ultrassom 4D substitui o ultrassom morfológico?
Tecnologia avançada e emoção à parte, os dois exames têm finalidades distintas
Quando o resultado do teste de gravidez aparece positivo, começa também uma sequência de exames que muitas gestantes conhecem pouco.
Entre eles, o ultrassom morfológico figura como um dos mais importantes e, ao mesmo tempo, um dos mais confundidos com o ultrassom 4D. A dúvida é comum: afinal, para que serve cada um? É preciso fazer os dois? Um cancela o outro?
A resposta curta é não. Os exames têm objetivos distintos e, na maior parte dos casos, se complementam.
No Brasil, ocorrem em média três milhões de nascimentos por ano, dos quais aproximadamente 60 mil são de bebês com algum tipo de anomalia congênita (dados de 2017). Segundo o Ministério da Saúde, as anomalias congênitas estão entre as principais causas de incapacidade e mortalidade infantil no mundo, e no Brasil são a segunda principal causa de morte entre crianças menores de cinco anos. É nesse contexto que o papel do ultrassom morfológico se torna insubstituível.
O que o ultrassom morfológico avalia
O ultrassom morfológico avalia de forma mais detalhada e completa a anatomia do bebê, pois a qualidade da imagem e a intensidade dos detalhes são maiores do que as do ultrassom convencional, explica Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).
“No morfológico, o médico percorre, de forma sistemática, estruturas do sistema nervoso central, coração, rins, estômago, bexiga, ossos, face e membros. Não é uma passagem rápida pelo bebê — é uma varredura completa da anatomia fetal“.
Os aparelhos utilizados no exame morfológico possuem transdutores com frequência entre 3 e 5 MHz, que permitem visualizar estruturas fetais com maior precisão. Enquanto o ultrassom obstétrico convencional foca principalmente na avaliação do crescimento fetal, localização da placenta e volume de líquido amniótico, o morfológico realiza uma varredura completa da anatomia do bebê.
A sensibilidade do exame para detecção de malformações fetais chega a aproximadamente 85%, dependendo do período gestacional e das condições técnicas.
É recomendada a realização de dois exames de ultrassonografia morfológica durante a gravidez: no primeiro trimestre, idealmente entre 12 e 13 semanas e 6 dias, e no segundo trimestre, entre 20 e 24 semanas. Em cada fase, o exame responde a perguntas diferentes: no primeiro trimestre, avalia marcadores de cromossomopatias, como a translucência nucal e o osso nasal, além de predizer o risco de pré-eclâmpsia; no segundo, permite identificar malformações estruturais que muitas vezes só ficam visíveis quando o bebê está mais desenvolvido.
O ultrassom morfológico de segundo trimestre é fundamentalmente um teste de rastreamento: ele separa os indivíduos com alto risco para malformações congênitas daqueles com baixo risco. Esse conceito é central para entender por que o exame permanece como referência nas principais diretrizes médicas — inclusive nas da Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Obstetrícia e Ginecologia (ISUOG) e da FEBRASGO.
Quando o morfológico aponta alguma alteração vascular ou de fluxo sanguíneo, o Doppler entra em cena. O exame analisa especificamente a circulação nas artérias uterinas, umbilical e cerebral média do feto — e é decisivo para rastrear riscos de pré-eclâmpsia e restrição de crescimento intrauterino.
Então para que serve o ultrassom 4D?
O ultrassom 4D é uma evolução tecnológica que acrescenta ao exame a dimensão do movimento em tempo real. Apesar de ser uma revolução durante o acompanhamento do bebê, o ultrassom 4D não é um substituto completo do ultrassom morfológico tradicional. Ambos têm suas vantagens e aplicações específicas.
As versões 3D e 4D do morfológico oferecem imagens tridimensionais e em movimento, permitindo melhor visualização da face e superfície corporal do bebê, mas não substituem a avaliação bidimensional tradicional para fins diagnósticos.
Na prática clínica, o 4D pode ser especialmente útil para confirmar e detalhar achados já identificados no morfológico — como suspeita de fenda palatina, por exemplo, em que a visualização tridimensional da face ajuda a dimensionar a extensão da alteração.
“O 4D oferece uma percepção mais nítida da anatomia superficial do bebê e cria uma conexão emocional muito forte entre os pais e o filho“, resume o Dr. Armênio Mekhitarian. “Mas o rastreamento de malformações internas, como cardíacas, cerebrais, renais, ainda depende da avaliação bidimensional criteriosa, com um profissional treinado e um equipamento adequado“.
A melhor época para fazer o ultrassom 3D ou 4D é entre a 26ª e a 29ª semana de gestação, pois nessas semanas o bebê já está crescido e ainda existe bastante líquido amniótico na barriga da mãe. Antes desse período, o feto ainda tem pouca gordura subcutânea, o que prejudica a definição das imagens.
Qual fazer primeiro?
A sequência correta começa pelo morfológico. É ele que responde às perguntas clínicas essenciais: o bebê está se formando corretamente? Há sinais de risco? O 4D, quando indicado ou desejado pelos pais, vem depois – geralmente no terceiro trimestre, quando as imagens são mais nítidas.
Um resultado tranquilo no morfológico não significa que o 4D é desnecessário, assim como um 4D com imagens bonitas não garante que não há alterações internas. São exames com finalidades diferentes, que respondem a perguntas diferentes.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Obstetrícia e Ginecologia (ISUOG). Orientações práticas para a realização da triagem ultrassonográfica fetal de rotina no segundo trimestre. Disponível em: https://isuog.org/static/uploaded/f11b2232-7477-4f52-84d6bb0ff3e26978.pdf
Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico – Anomalias Congênitas no Brasil, 2020/2021. Secretaria de Vigilância em Saúde. Disponível em: https://svs.aids.gov.br/daent/centrais-de-conteudos/publicacoes/saude-brasil/saude-brasil-2020-2021-anomalias-congenitas.pdf
Associação Paulista de Medicina (APM). Ministério atualiza informações sobre anomalias congênitas no País. Disponível em: https://www.apm.org.br/ministerio-atualiza-informacoes-sobre-anomalias-congenitas-no-pais/
SciELO. Prevalência de anomalias congênitas e fatores associados em recém-nascidos do município de São Paulo no período de 2010 a 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rpp/a/d5XsxxGbzgTXcCqFfmD86wm/
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