Endometriose e transvaginal: o que o exame pode detectar
O ultrassom transvaginal é a principal porta de entrada para o diagnóstico da endometriose
A endometriose afeta uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, o que representa cerca de 7 a 8 milhões de pessoas. Apesar dos números, o diagnóstico ainda demora entre 3 e 10 anos para ser estabelecido.
O ultrassom transvaginal é o primeiro exame indicado diante da suspeita clínica da doença e, quando realizado com protocolo adequado, pode substituir procedimentos mais invasivos na grande maioria dos casos.
O problema é que, entre o transvaginal de rotina e o transvaginal especializado para endometriose, existe uma diferença que não é pequena.
O que o transvaginal consegue identificar
A ultrassonografia transvaginal é eficaz para detectar endometriomas ovarianos (cistos de endometriose nos ovários) e nódulos profundos localizados na pelve, como os da região retrocervical, do septo retovaginal, da bexiga e do intestino. Para a endometriose profunda, a sensibilidade do exame varia entre 71% e 97%, com especificidade de 85% a 100%, segundo dados publicados no portal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Para endometriomas, a sensibilidade fica entre 64% e 89%, com especificidade de até 100%.
Há, no entanto, uma limitação importante: implantes superficiais no peritônio, que correspondem aos casos iniciais da doença, praticamente não são visíveis por nenhum método de imagem, incluindo o transvaginal. Isso significa que um exame normal não descarta a endometriose, especialmente em mulheres com sintomas persistentes.
“O ultrassom transvaginal é o ponto de partida obrigatório na investigação da endometriose. O que define o quanto esse exame vai render é, antes de tudo, o protocolo adotado e a experiência de quem o realiza“, afirma Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).
Transvaginal de rotina ou com preparo intestinal: qual é a diferença?
O ultrassom transvaginal de rotina avalia o útero e os ovários. Ele identifica alterações como miomas, cistos e outras condições ginecológicas comuns. Já o exame específico para endometriose, chamado de ultrassom transvaginal com preparo intestinal, vai além: avalia sistematicamente toda a pelve, incluindo o intestino (retossigmoide), a bexiga, os ureteres, a região retrocervical e o assoalho pélvico.
O preparo intestinal inclui uso de laxante oral e aplicação de enema retal pouco antes do exame. Sem essa limpeza, o intestino ocupa o campo visual e compromete a identificação de nódulos na parede intestinal, que são comuns na endometriose profunda.
E vale destacar que o exame com preparo pode ser realizado em qualquer fase do ciclo menstrual, sem prejuízo diagnóstico.
O que a paciente precisa informar e como se preparar
Antes do exame, é fundamental que a paciente relate ao médico o histórico de dor, incluindo a intensidade, a localização e a relação com o ciclo menstrual. Dor durante a relação sexual, dificuldade para engravidar, alterações intestinais ou urinárias associadas à menstruação e histórico familiar de endometriose são informações que orientam o examinador na condução do protocolo.
Durante o exame, a sonda transvaginal é introduzida na vagina, com cobertura descartável (geralmente um preservativo) e gel, e o procedimento é semelhante a uma consulta ginecológica.
“Um laudo inconclusivo não significa necessariamente que não há endometriose. Significa que a investigação precisa ser mais cuidadosa. A diferença está em saber onde olhar e como olhar“, diz Dr. Mekhitarian.
Nos atendimentos do Instituto Avançado de Imagem, o ultrassom transvaginal é complementado, quando necessário, por recursos como o Doppler, que auxilia na avaliação vascular dos focos e na diferenciação de lesões.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Endometriose afeta uma em cada dez mulheres em idade fértil no Brasil. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Acesso em 21 de maio de 2026. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/2046-endometriose-doenca-afeta-uma-em-cada-dez-mulheres-em-idade-fertil-no-brasil
Aplicações da Ultrassonografia no diagnóstico da Endometriose. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Acesso em 21 de maio de 2026. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/447-aplicacoes-da-ultrassonografia-no-diagnostico-da-endometriose
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