É possível diagnosticar a doença de Parkinson?
Entenda como médicos identificam a doença, o que o paciente pode observar antes de procurar ajuda e por que o Parkinson não é exclusividade da terceira idade
A cena que muita gente tem na cabeça quando ouve “Parkinson” é a de um idoso com as mãos tremendo. Ela não é errada, mas está longe de ser completa. A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva — e o tremor, sintoma mais famoso, nem sempre é o primeiro a aparecer. O diagnóstico costuma vir depois de meses ou até anos de sinais mais sutis, frequentemente confundidos com estresse, envelhecimento ou outras condições.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem aproximadamente 4 milhões de pessoas no mundo com a doença de Parkinson, o que representa 1% da população mundial a partir dos 65 anos. No Brasil, a estimativa é de que 200 mil pessoas vivam com a enfermidade.
Como a notificação da doença não é compulsória no país, os dados são imprecisos — mas segundo o IBGE, surgem cerca de 36 mil novos casos por ano no Brasil, e estudos estimam que o número de pacientes dobrará até 2030, pressionado pelo envelhecimento da população.
Como o Parkinson é diagnosticado hoje
O diagnóstico da doença de Parkinson é essencialmente clínico e se baseia na presença de sintomas motores característicos, como rigidez, tremor de repouso e anormalidades posturais. Na prática, isso significa que não existe ainda um exame de sangue ou de imagem capaz de confirmar o Parkinson isoladamente. O médico neurologista avalia o histórico do paciente, observa os movimentos no consultório e aplica critérios estabelecidos pela literatura médica.
Quatro são os principais sinais da doença: lentificação dos movimentos (bradicinesia), tremor predominantemente em repouso, rigidez ao exame neurológico e, mais tardiamente, o desequilíbrio para caminhar. Os três primeiros sinais aparecem inicialmente apenas em um dos lados do corpo, evoluindo também para o outro lado após cerca de dois anos.
Os exames de imagem entram como apoio — e, em alguns casos, como diferencial decisivo. Um deles é o Doppler transcraniano. Pacientes com doença de Parkinson manifestam um sinal característico ao estudo com ultrassom: a hiperecogenicidade da substância negra mesencefálica, com 90% de valor preditivo positivo. Em outras palavras, o exame consegue identificar uma alteração na região do cérebro responsável pela produção de dopamina, presente em mais de 9 em cada 10 casos de Parkinson idiopático.
Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI), explica o papel do método: “Um achado alterado na substância negra apoia o diagnóstico de Parkinson, mas não o confirma de forma isolada. A integração com a clínica e com outros métodos de imagem, como a ressonância magnética, é sempre necessária“.
A ressonância magnética com avaliação do nigrossomo permite visualizar diretamente a perda dos neurônios dopaminérgicos com precisão superior às máquinas convencionais.
Por que o diagnóstico diferencial importa
Vários quadros neurológicos se assemelham ao Parkinson — e a distinção entre eles tem impacto direto no tratamento. Tremor essencial, paralisia supranuclear progressiva, atrofia de múltiplos sistemas e demência por corpúsculos de Lewy são algumas das condições que podem ser confundidas com a doença de Parkinson em estágio inicial.
O Doppler transcraniano ajuda exatamente nessa diferenciação. O exame é útil para o diagnóstico diferencial das formas secundárias de parkinsonismo e para a avaliação das síndromes parkinsonianas atípicas. Outras doenças que podem ser avaliadas com a ecografia transcraniana incluem a síndrome das pernas inquietas, algumas formas de distonias e a doença de Wilson.
Parkinson não é só doença de idoso
Cerca de 10% dos diagnósticos mundiais de Parkinson ocorrem antes dos 50 anos, segundo a Michael J. Fox Foundation — o ator americano, famoso pelo filme Karate Kid, que tornou pública sua própria luta com a doença aos 30 anos. No Brasil, há relatos de diagnósticos em pessoas com menos de 40 anos. Essa realidade ainda surpreende muita gente, inclusive médicos menos familiarizados com a condição.
Diferente do que costumamos pensar, o tremor não é o principal sintoma do Parkinson de início precoce. Entre os sintomas mais comuns estão movimentos involuntários de mãos, braços e pernas, contrações involuntárias, lentidão para fazer movimentos simples e rotineiros, e alterações de humor, além de ansiedade e depressão.
Os sintomas não motores, aliás, costumam preceder os motores por anos. Perda do olfato, constipação intestinal, distúrbios do sono — como agitação durante sonhos — e depressão são sinais que já chamam atenção de médicos neurologistas experientes mesmo antes do tremor aparecer. Quem percebe qualquer combinação desses sintomas de forma persistente deve buscar avaliação com um neurologista, de preferência com experiência em distúrbios do movimento.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. 11/4 – Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/11-4-dia-mundial-de-conscientizacao-da-doenca-de-parkinson-avancar-melhorar-educar-colaborar/
Scielo Brasil. Morbidade hospitalar e mortalidade por Doença de Parkinson no Brasil de 2008 a 2020. Saúde debate, 47(137), abr-jun 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sdeb/a/4MhycVSTSmjXW3kMKr4n35L/
Research, Society and Development. Doença de Parkinson: Padrão epidemiológico de internações no Brasil. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/download/24535/21927/293934
Revista Brasília Médica. Aplicações da ultrassonografia transcraniana no diagnóstico dos distúrbios do movimento. Disponível em: https://rbm.org.br/details/189/pt-BR
Fleury Medicina e Saúde. Métodos de imagem em destaque no diagnóstico da doença de Parkinson. Disponível em: https://www.fleury.com.br/medico/artigos-cientificos/metodos-de-imagem-em-destaque-no-diagnostico-da-doenca-de-parkinson
Parkinson.com.br. Diagnóstico. Disponível em: https://parkinson.com.br/diagnostico/
Pró-Saúde. Em 2030, mais de 600 mil brasileiros poderão sofrer do Mal de Parkinson. Disponível em: https://www.prosaude.org.br/noticias/em-2030-mais-de-600-mil-brasileiros-poderao-sofrer-do-mal-de-parkinson/
Dr. Diego de Castro. Parkinson em jovens – Doença de Parkinson juvenil. Disponível em: https://drdiegodecastro.com/parkinson-em-jovens-doenca-de-parkinson-juvenil-parkinson-precoce/
Hospital Oswaldo Cruz. Entenda por que o Parkinson pode afetar os mais jovens. Disponível em: https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/imprensa/hospital-na-midia/entenda-por-que-o-parkinson-pode-afetar-os-mais-jovens/
Michael J. Fox Foundation for Parkinson’s Research. Disponível em: https://www.michaeljfox.org/
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