Você sabe o que faz um médico radiologista?
Por trás de cada laudo há um médico que também participa de decisões diagnósticas e realiza procedimentos guiados por imagem
Para a maioria dos pacientes, o médio radiologista é o profissional que “bate a chapa” ou aparece brevemente para trocar algumas palavras antes de um exame. É uma percepção compreensível, já que o contato costuma ser rápido e, na maior parte das vezes, quem entrega o resultado é o médico assistente. Mas essa imagem deixa de fora boa parte do trabalho de um médico radiologista.
O que faz um médico radiologista, afinal
A radiologia é reconhecida como especialidade médica pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), entidade fundada em 1948 e responsável por credenciar os programas de formação na área. Para se tornar médico radiologista no Brasil, é preciso cursar três anos de residência médica supervisionada, com treinamento em radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, mamografia e procedimentos intervencionistas guiados por imagem, segundo o Protocolo Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, documento oficial do CBR.
Hoje, segundo o Atlas da Radiologia no Brasil 2025, publicado pelo próprio CBR, a entidade representa mais de 20 mil radiologistas em todo o país. São profissionais que atuam em hospitais, clínicas e serviços de diagnóstico, muitas vezes sem contato direto com o paciente, mas cuja análise interfere diretamente na conduta médica.
“O médico radiologista não olha só a imagem. Ele interpreta o exame considerando a história clínica, os sintomas relatados e a hipótese diagnóstica do colega que solicitou o exame. É um trabalho de raciocínio clínico, não só de leitura de imagem“, explica Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).
Além do diagnóstico
Um dos pontos menos conhecidos da especialidade é a atuação em procedimentos terapêuticos e diagnósticos guiados por imagem, área conhecida como radiologia intervencionista. Nela, o radiologista utiliza o ultrassom, a tomografia ou a ressonância para guiar agulhas e instrumentos até estruturas internas do corpo, permitindo procedimentos minimamente invasivos que antes exigiam cirurgia.
É o caso da biópsia e da punção guiadas por imagem, usadas para coletar amostras de tecido de órgãos como próstata, fígado, tireoide e linfonodos, com precisão milimétrica e sem necessidade de internação na maioria dos casos. O ultrassom com Doppler e a elastografia hepática também dependem diretamente da atuação do radiologista, que interpreta em tempo real o fluxo sanguíneo ou a rigidez do tecido enquanto realiza o exame.
“Em procedimentos como biópsia, punção ou Doppler, o radiologista está tomando decisões durante o próprio exame, decidindo onde puncionar, o que investigar com mais atenção, quando é preciso complementar a avaliação“, afirma Dr. Mekhitarian.
Por que a experiência do médico radiologista muda o resultado do exame
Um mesmo equipamento pode gerar laudos muito diferentes, dependendo de quem o opera. Isso porque grande parte dos exames de imagem, sobretudo o ultrassom e suas variações como o Doppler transcraniano, dependem diretamente da técnica e do treinamento de quem realiza o exame, e não apenas da tecnologia do aparelho.
“O ultrassom, em especial, é um exame operador dependente. A imagem que aparece na tela em um determinado ângulo pode não ser vista se o examinador não souber onde e como procurar. Um médico com mais experiência e habilitação específica encontra achados que passariam despercebidos para quem tem menos prática naquele protocolo“, diz Dr. Mekhitarian.
Essa diferença tem impacto direto no paciente. Um exame realizado sem o protocolo adequado ou por um profissional pouco familiarizado com determinada condição pode gerar um resultado “normal” que, na verdade, não investigou tudo o que deveria. Por isso, entender que existe um médico especialista por trás de cada laudo, não apenas um aparelho, ajuda o paciente a valorizar onde e com quem realiza seus exames de imagem.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Atlas da Radiologia no Brasil 2025. Acesso em 24 de setembro de 2026. Disponível em: https://cbr.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Atlas-da-Radiologia-no-Brasil-2025.pdf
Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Protocolo Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Acesso em 24 de setembro de 2026. Disponível em: https://cbr.org.br/wp-content/uploads/2021/12/8_Protocolo-Brasileiro-de-Radiologia-e-Diagnostico-por-Imagem-v.final_.pdf
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