Vai viajar? Veja os cuidados que você deve ter com sua saúde durante a viagem

Vai viajar? Veja os cuidados que você deve ter com sua saúde durante a viagem

Vacinas, exames e atenção aos riscos vasculares do voo longo fazem parte de uma preparação que começa muito antes do embarque

Planejar uma viagem costuma mobilizar atenção para passagens, acomodação e roteiro. O que muita gente deixa para trás, nessa lista, é a saúde. E o esquecimento tem consequências: desde a negativa de embarque por falta de documentação vacinal até complicações vasculares que se instalam silenciosamente dentro do avião.

Para viagens internacionais, a preparação médica deveria começar com pelo menos dois meses de antecedência. É o tempo necessário para verificar o calendário vacinal, completar esquemas que exigem mais de uma dose e obter o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP), quando exigido pelo país de destino.

Quais vacinas verificar antes de embarcar

O Ministério da Saúde orienta que todo viajante esteja com o calendário nacional em dia antes de qualquer deslocamento internacional, especialmente para febre amarela, sarampo, rubéola, difteria e tétano. A vacina contra febre amarela, em particular, tem uma regra: precisa ser aplicada com pelo menos dez dias de antecedência para conferir proteção.

A lista muda conforme o destino. Para países da América do Sul, Central e partes da África, o CIVP para febre amarela pode ser exigido até em escalas. Quem viaja para o Sudeste Asiático pode precisar considerar hepatite A, febre tifoide e, em casos de permanência longa em áreas rurais, encefalite japonesa. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu alerta em 2026 para risco elevado de chikungunya nas Américas, e Argentina, Paraguai, Peru, México e Colômbia registraram picos recentes de dengue, o que amplia a preocupação com destinos na própria região.

A recomendação da Anvisa é consultar a lista oficial antes de fechar qualquer roteiro. As vacinas indicadas pelo Ministério da Saúde são oferecidas gratuitamente na rede pública.

Quem tem condição crônica precisa planejar mais

Para quem convive com doenças cardiovasculares, diabetes, condições vasculares ou faz uso contínuo de anticoagulantes, o pré-viagem exige uma camada a mais de atenção. Uma conversa com o médico assistente antes do embarque pode definir ajustes de medicação, indicar exames de controle e antecipar condutas para eventuais sintomas durante o percurso.

Em alguns casos, atualizar exames de imagem antes de viajar faz sentido clínico, especialmente quando há condições que precisam de monitoramento ativo. Um Doppler vascular recente, por exemplo, oferece um parâmetro comparativo útil para quem retorna com sintomas nas pernas.

Em pacientes com histórico de insuficiência venosa, trombose prévia ou fatores de risco cardiovascular, ter um exame de base antes da viagem ajuda muito na avaliação clínica pós-retorno. Se o paciente volta com perna inchada ou dor na panturrilha, saber o que existia antes do voo é uma informação que faz diferença“, afirma Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).

O risco vascular que começa na poltrona

Voos com mais de seis horas de duração aumentam o risco de trombose venosa profunda (TVP), condição em que coágulos se formam nas veias, mais frequentemente nas pernas. O mecanismo é relativamente direto: a imobilidade prolongada reduz o retorno venoso para o coração, e a desidratação, comum em voos, aumenta a viscosidade do sangue. Essa combinação cria as condições para que o coágulo se forme.

Um estudo mostrou que viagens com mais de quatro horas elevam em até 2,8 vezes o risco de TVP, com risco ainda mais pronunciado em trajetos acima de oito horas. A OMS e o CDC apontam a imobilidade prolongada como o principal gatilho, mais relevante do que a pressão atmosférica ou a altitude.

O risco não é igual para todos. Pacientes com histórico de TVP, insuficiência venosa crônica, varizes, obesidade, uso de anticoncepcionais hormonais, trombofilia ou que passaram por cirurgia recente pertencem ao grupo de maior exposição. A idade também conta: acima dos 60 anos, as chances de complicação aumentam de forma significativa.

As medidas preventivas são: movimentar-se a cada uma ou duas horas durante o voo, fazer exercícios de flexão e extensão dos tornozelos enquanto sentado, manter boa hidratação com água e usar meias de compressão graduada, quando indicadas pelo médico.

Quando suspeitar e o que fazer ao voltar

Os sintomas clássicos da TVP incluem dor na panturrilha que piora ao caminhar, inchaço, endurecimento muscular e alteração na coloração da pele da perna afetada. O problema é que a doença também pode ser assintomática, e o coágulo, quando se desprende, pode migrar para os pulmões e causar embolia pulmonar, uma complicação potencialmente fatal.

A janela de atenção se estende por até quatro semanas após o retorno. Qualquer desconforto diferente nas pernas nesse período merece avaliação médica. O exame de escolha para confirmar ou afastar a suspeita é o ultrassom com Doppler, que avalia a compressibilidade das veias e a presença de fluxo sanguíneo adequado de forma não invasiva, sem radiação e com resultado imediato.

O Doppler vascular é o exame de referência para o diagnóstico de trombose venosa profunda. Ele mostra, em tempo real, se há obstrução no fluxo e em qual extensão. Nos casos pós-viagem, o diagnóstico rápido é fundamental, porque o tratamento precisa começar antes que o coágulo se desloque“, diz o Dr. Mekhitarian.

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Fontes:

Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534

Vacinação para os Viajantes. Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/viajantes

Prevenção da trombose venosa profunda. Manual MSD Edição para Profissionais. Revisado em dez. 2023. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doenças-cardiovasculares/doenças-venosas-periféricas/prevenção-da-trombose-venosa-profunda

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