Por que trombose costuma afetar majoritariamente mulheres?
Hormônios, gravidez e reposição na menopausa explicam parte do desequilíbrio entre os sexos
Você sabia? Um levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) mostrou que a trombose venosa provoca 113 internações por dia no Brasil, e que 61% dos pacientes hospitalizados pela doença são mulheres. O número chama atenção porque, biologicamente, homens e mulheres não deveriam ter uma predisposição tão diferente ao problema. O que muda é a exposição a fatores de risco específicos do corpo feminino, como o uso de contraceptivos hormonais, a gestação e a reposição hormonal na menopausa.
Trombose em mulheres
O estrogênio interfere na coagulação do sangue, tornando-o mais propenso à formação de coágulos. É por isso que o uso de contraceptivos orais combinados aparece como um dos fatores de risco mais estudados.
Segundo protocolo da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), usuárias de contraceptivos orais combinados e de adesivos transdérmicos têm risco de tromboembolismo venoso cerca de oito vezes maior do que mulheres que não usam contraceptivos hormonais, o equivalente a 9,7 eventos para cada 10 mil mulheres por ano de uso.
A FEBRASGO destaca ainda que o tipo de progestagênio presente na fórmula influencia esse risco. Vale reforçar que o risco absoluto continua baixo na maioria dos casos, mas ele se soma a outros fatores, como tabagismo, obesidade e histórico familiar.
“Muitas pacientes procuram o exame já com sintomas, mas sem saber que fazem parte de um grupo de risco. Por isso a conversa entre médico e paciente antes da prescrição de um contraceptivo, incluindo o histórico familiar de trombose, é tão importante quanto o próprio exame de imagem“, explica Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).
Gravidez, puerpério e o risco de trombose em mulheres
Se o contraceptivo já eleva o risco, a gestação eleva ainda mais. Dados publicados pela FEBRASGO mostram que a incidência de trombose venosa, que fica entre 1 e 5 casos a cada 10 mil mulheres não gestantes e não usuárias de pílula por ano, sobe para 5 a 20 casos entre gestantes e chega a 40 ou 65 casos entre mulheres no pós-parto imediato, para o mesmo grupo de 10 mil. Em comparação a mulheres que não usam contraceptivos hormonais, o risco durante a gravidez e o puerpério pode chegar a ser até 30 vezes maior.
Estudo publicado no Jornal Vascular Brasileiro explica que a trombose venosa profunda de membros inferiores responde por 75% a 80% dos episódios de tromboembolismo venoso na gestação, distribuídos igualmente entre os três trimestres, enquanto boa parte dos casos de embolia pulmonar concentra-se nas primeiras seis semanas após o parto. Nas gestantes, o quadro costuma predominar na perna esquerda, resultado da compressão que o útero exerce sobre os vasos daquele lado do corpo.
A terapia hormonal usada no climatério e na menopausa também entra nessa conta. Revisões publicadas na literatura médica brasileira indicam que a reposição hormonal por via oral aumenta de forma significativa o risco de tromboembolismo venoso, enquanto a via transdérmica não apresenta o mesmo aumento de risco quando comparada a mulheres que não fazem reposição. Por isso, sociedades médicas recomendam avaliação individualizada antes de iniciar o tratamento, considerando idade, peso e histórico pessoal e familiar de trombose.
Diagnóstico da trombose em mulheres: o papel do ultrassom com Doppler
Independentemente da causa, os sinais de alerta costumam ser parecidos: inchaço, dor, vermelhidão e sensação de peso em uma das pernas, geralmente de um lado só. Falta de ar súbita, dor no peito e tosse podem indicar que um coágulo se deslocou para os pulmões, uma emergência médica.
Diante da suspeita clínica, o exame de escolha para confirmar ou descartar a trombose venosa é o ultrassom com Doppler. O método avalia se a veia comprime normalmente e se há fluxo sanguíneo circulando por ela, sem uso de radiação e sem necessidade de preparo.
“O Doppler permite ver, em tempo real, se existe obstrução na veia. Uma veia que não comprime e não apresenta fluxo é sinal praticamente confirmatório de trombose. É um exame rápido, indolor e que pode ser repetido quantas vezes forem necessárias para acompanhar a evolução do quadro“, afirma Dr. Mekhitarian.
Para mulheres com fatores de risco conhecidos, como uso de contraceptivo, gestação em curso ou início de reposição hormonal, procurar avaliação médica diante de qualquer sintoma nas pernas, por mais discreto que pareça, é o que permite iniciar o tratamento antes que o quadro evolua para complicações mais graves.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Trombose venosa é responsável por 113 internações diárias no Brasil, revela SBACV. Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Acesso em 16 de setembro de 2026. Disponível em: https://fbh.com.br/trombose-venosa-e-responsavel-por-113-internacoes-diarias-no-brasil-revela-sbacv/
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