Meu médico pediu biópsia PAAF. O que é isso?
Entenda a diferença entre a punção aspirativa por agulha fina e a core-biópsia, quando cada uma é indicada e por que a guiagem por ultrassom aumenta a precisão do resultado
É uma cena comum nos consultórios: a paciente faz um ultrassom de rotina, muitas vezes por outro motivo, e o laudo revela um nódulo na tireoide que ninguém sabia que existia. O médico, então, solicita uma biópsia PAAF, e a primeira reação costuma ser de estranhamento. Afinal, o que é isso, e por que é preciso “picar” a tireoide se não havia sintoma nenhum?
Estudos mostram que, quando avaliados por ultrassom, aparecem em até 68% dos indivíduos selecionados aleatoriamente, embora a palpação clínica identifique uma fração bem menor desse total. A grande maioria é benigna. Ainda assim, uma parte precisa ser investigada com mais profundidade, e é aí que entra a biópsia PAAF.
O que diferencia a biópsia PAAF da core-biópsia
A sigla PAAF significa punção aspirativa por agulha fina. Na prática, uma agulha bem fina é introduzida no nódulo para aspirar células, que depois são analisadas ao microscópio por um médico patologista. É um exame citológico: avalia as células isoladamente, não a arquitetura do tecido.
Já a core-biópsia utiliza uma agulha um pouco mais calibrosa, capaz de retirar um pequeno fragmento de tecido, preservando a organização das células entre si. Essa diferença importa porque alguns diagnósticos dependem de enxergar o tecido como um todo, e não apenas células soltas.
“Falando especificamente sobre a tireoide, a PAAF é o método de escolha na grande maioria dos casos para classificar o resultado. A core-biópsia fica reservada para situações específicas, como quando a PAAF é inconclusiva ou há suspeita de linfoma“, explica Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).
Quando a biópsia PAAF é indicada
Nem todo nódulo de tireoide precisa ser puncionado. A decisão leva em conta o tamanho do nódulo e as características observadas no ultrassom, como formato, margens, presença de calcificações e vascularização. Esses critérios compõem sistemas de classificação de risco, como o TI-RADS, que orientam o médico radiologista sobre qual nódulo merece biópsia e qual pode apenas ser acompanhado.
“O achado incidental de um nódulo em um ultrassom feito por outro motivo é cada vez mais frequente. O papel do médico radiologista é justamente separar o que precisa de biópsia daquilo que só precisa de observação periódica, evitando tanto a subinvestigação quanto o excesso de procedimentos“, afirma o Dr. Mekhitarian.
Como é feita a biópsia PAAF guiada por ultrassom
A biópsia de nódulos de tireoide é praticamente sempre guiada por ultrassom. A imagem em tempo real permite que a agulha seja direcionada com precisão até a área do nódulo que mais interessa, o que reduz a chance de coletar uma amostra insuficiente e evita puncionar estruturas vizinhas, como vasos sanguíneos e a traqueia.
O procedimento costuma ser rápido, geralmente entre 15 e 30 minutos, feito com anestesia local ou até sem anestesia, já que a agulha utilizada é bem fina. Não exige jejum nem internação, e o paciente retoma as atividades normais no mesmo dia. Um pequeno desconforto local e, ocasionalmente, um hematoma discreto são as reações mais comuns depois do exame.
O resultado costuma ficar pronto em alguns dias e chega classificado dentro do Sistema Bethesda, que vai de categorias com baixíssimo risco de malignidade até aquelas que já indicam conduta cirúrgica.
“O laudo da PAAF não deve ser lido isoladamente. Ele precisa ser interpretado junto com o ultrassom e com o quadro clínico do paciente, para que o endocrinologista defina o melhor caminho“, completa o especialista.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Mulheres devem concentrar maioria dos casos de câncer de tireoide no Brasil (Estimativa 2026-2028). Portal Afya, fev. 2026. Acesso em 9 de setembro de 2026. Disponível em: https://portal.afya.com.br/saude/mulheres-devem-concentrar-maioria-dos-casos-de-cancer-de-tireoide-no-brasil
Correlação entre os sistemas TI-RADS e Bethesda em 1.000 nódulos da tireoide. Einstein (São Paulo), SciELO. Acesso em 9 de setembro de 2026. Disponível em: https://www.scielo.br/j/eins/a/xXsn47b6yQZHsFLn37Ng6js/?lang=pt
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