Dia Mundial da Saúde: como a medicina já avançou para nossa saúde

Dia Mundial da Saúde: como a medicina já avançou para nossa saúde

Em pouco mais de oito décadas, o brasileiro ganhou 31 anos de expectativa de vida. Por trás desse número, há vacinas, diagnósticos mais precisos e tratamentos que mudaram o prognóstico de doenças antes consideradas fatais

O brasileiro que nascia em 1940 tinha expectativa de viver, em média, 45,5 anos. Em 2024, esse número chegou a 76,6 anos — o maior já registrado na história do país, segundo o IBGE. Em menos de um século, o Brasil acrescentou mais de três décadas à vida média de sua população.

Esse salto não foi obra do acaso: é resultado de campanhas de vacinação em massa, avanços no diagnóstico precoce, desenvolvimento de novos medicamentos e transformações profundas na forma como a medicina enxerga — literalmente — o corpo humano.

Diagnóstico precoce

Há poucas décadas, o raio-X era praticamente o único recurso de imagem disponível ao médico. O que antes era invisível ao olho clínico passou a ter contornos a partir do desenvolvimento do ultrassom, da tomografia computadorizada nos anos 1970 e, logo depois, da ressonância magnética. Cada tecnologia encurtou o tempo entre o sintoma e a resposta.

A radiologia é uma das áreas da medicina que mais se transformou com o avanço da tecnologia. Hoje, não ficamos restritos ao diagnóstico — atuamos também em procedimentos terapêuticos, como biópsias e punções guiadas por imagem, que permitem chegar ao tecido-alvo com precisão que antes era impossível“, afirma Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).

O câncer de pulmão é um exemplo de como o diagnóstico tardio ainda cobra um preço alto: segundo o INCA, cerca de 85% dos casos são detectados em fases avançadas, quando a taxa de sobrevida em cinco anos cai para apenas 5%. Em contrapartida, estudos mostram que a tomografia computadorizada de baixa dose, quando aplicada em pacientes de alto risco, reduz a proporção de diagnósticos tardios de 90% para 30%. Tão relevante é essa perspectiva que, em abril de 2026, o próprio INCA lançou um estudo pioneiro para testar esse método de rastreamento no SUS.

Tratamentos que reescreveram prognósticos

Doenças que tinham prognóstico reservado passaram a ter trajetória diferente com a chegada de novas terapias. A tuberculose resistente, por exemplo, exigia até recentemente 18 meses de tratamento. Com a incorporação de um medicamento mais recente, esse tempo caiu para seis meses, ampliando as chances de adesão e efetividade. O Ministério da Saúde informou que o Brasil já identifica 89% dos casos estimados da doença — avanço considerável frente aos 75,8% registrados em 2021.

No câncer de mama, a incorporação de uma terapia para o subtipo HER2 positivo pelo SUS representa outro marco: segundo o Ministério da Saúde, o tratamento pode reduzir em até 50% a mortalidade associada a esse tipo de tumor.

Para Dr. Mekhitarian, a imagem médica está no centro dessas transformações. “A radiologia está presente em todas as etapas: rastreamento, diagnóstico, planejamento do tratamento e acompanhamento pós-terapêutico. Exames como a elastografia hepática e o ultrassom com Doppler, por exemplo, permitem avaliar condições graves de forma não invasiva, sem expor o paciente a procedimentos desnecessários“.

Prevenção: o campo onde ainda há mais a ganhar

A mortalidade infantil caiu de 146,6 mortes para cada mil nascidos vivos em 1940 para 12,3 em 2024 — uma redução de mais de 90% associada, entre outros fatores, a campanhas de vacinação em massa e à atenção ao pré-natal, segundo o IBGE. A vacinação contra o HPV, disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, atingiu cobertura de 85% entre meninas e 73% entre meninos em dados preliminares de 2025, aproximando-se da meta de 90% acordada com a OMS.

O diagnóstico precoce, no entanto, ainda encontra barreiras no acesso. As regiões Norte e Nordeste concentram as menores coberturas de exames preventivos. Segundo pesquisa do Instituto Natura divulgada em 2025, 86% das mulheres brasileiras não sabiam que têm direito a realizar mamografia diagnóstica pelo SUS gratuitamente, mesmo sem apresentar sintomas.

A tecnologia avançou muito. Mas ela só cumpre seu papel quando o paciente chega até o exame. O diagnóstico precoce depende tanto de equipamentos de ponta quanto de acesso, informação e escuta clínica“, diz Dr. Mekhitarian.

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Fontes:

Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534

Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil. Instituto Nacional de Câncer (INCA), 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2026/inca-estima-781-mil-novos-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-entre-2026-e-2028

INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano; Ministério da Saúde amplia cuidado oncológico. Agência Gov, fev. 2026. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202602/inca-estima-781-mil-novos-casos-de-cancer-por-ano-e-ministerio-da-saude-amplia-o-cuidado-oncologico

Brasil identifica 89% dos casos estimados de tuberculose. Ministério da Saúde, mar. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/marco/brasil-identifica-89-dos-casos-estimados-de-tuberculose-e-avanca-no-processo-de-eliminacao-da-doenca

Expectativa de vida chega a 76,6 anos em 2024. IBGE – Agência de Notícias, nov. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45275-expectativa-de-vida-chega-a-76-6-anos-em-2024

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