O que o ultrassom com Doppler avalia e quando ele é indicado

O que o ultrassom com Doppler avalia e quando ele é indicado

O exame consegue “enxergar” o fluxo sanguíneo em tempo real, sem radiação e sem necessidade de preparo

Quem já ouviu falar em ultrassom com Doppler, provavelmente associou o exame a algum cenário específico: uma grávida no consultório de pré-natal, uma pessoa com suspeita de trombose ou um paciente com queixas de circulação nas pernas. A associação faz sentido, mas o exame vai além: ele é capaz de investigar o fluxo sanguíneo em artérias e veias de praticamente qualquer região do corpo. E faz isso sem usar radiação, com o paciente deitado em uma maca, em uma sessão que costuma durar entre 30 e 60 minutos.

O princípio é o mesmo do ultrassom convencional: ondas sonoras de alta frequência são emitidas por um transdutor e atravessam os tecidos. A diferença é que o Doppler acrescenta uma camada de informação: ele detecta o movimento dos glóbulos vermelhos no sangue e, a partir daí, calcula velocidade, direção e resistência do fluxo. O resultado aparece na tela do equipamento em cores: vermelho e azul indicam sentidos opostos da circulação, e em curvas espectrais que o médico interpreta durante o próprio exame.

O ultrassom com Doppler é um exame bastante usado para diagnosticar doenças que acometem os vasos sanguíneos, em especial a trombose. É um exame comumente usado à beira-leito para avaliação dos membros de pacientes que têm dificuldade de locomoção“, explica Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).

Doppler e doenças vasculares

A trombose venosa profunda (TVP) é uma das situações em que o exame tem papel mais crítico. Dados de 2021 indicam que a TVP acomete uma em cada quatro pessoas no mundo em algum momento da vida, um número expressivo, especialmente considerando que a doença pode evoluir para embolia pulmonar se o coágulo se deslocar para os pulmões.

No Doppler, o médico avalia a compressibilidade da veia e a presença ou ausência de fluxo: uma veia que não comprime e não apresenta circulação é sinal de obstrução.

O raio de ação do exame, porém, é bem mais amplo. Ele é indicado também na investigação de varizes e insuficiência venosa crônica – condição cuja prevalência no Brasil é expressiva. Estudos mostram uma prevalência média de 38% de varizes na população adulta brasileira. No contexto pré-operatório de cirurgia de varizes, o Doppler é o mapa que o cirurgião precisa para planejar a intervenção.

Do lado arterial, o exame tem papel central no diagnóstico da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP). Um levantamento do Ministério da Saúde aponta que cerca de 34% dos brasileiros com mais de 55 anos apresentam algum grau de comprometimento vascular. O Doppler arterial detecta estenoses, obstruções e aneurismas antes que causem danos irreversíveis.

Além dessas indicações, o exame é utilizado para avaliação de carótidas e vertebrais, rastreio fundamental em pacientes com risco de AVC, para o estudo da aorta abdominal, para o planejamento de fístulas arteriovenosas em pacientes em hemodiálise e para o mapeamento da circulação em casos de pé diabético”, explica o especialista.

Ultrassom com Doppler na gestação

No acompanhamento obstétrico, o ultrassom com Doppler tem indicação consolidada nas gestações de alto risco. O exame avalia o fluxo nas artérias uterinas da mãe, no cordão umbilical e na artéria cerebral média do feto, dados que permitem ao obstetra saber se a placenta está funcionando adequadamente e se o bebê está recebendo oxigênio e nutrientes em quantidade suficiente.

Vale lembrar que o Doppler obstétrico é diferente do ultrassom morfológico 4D (aquele que gera imagens tridimensionais do rosto e dos movimentos do bebê). Enquanto o 4D tem foco na estrutura anatômica fetal, o Doppler investiga a fisiologia circulatória. Em algumas situações, os dois exames se complementam dentro de uma mesma avaliação, como ocorre no morfológico de primeiro trimestre, que já incorpora a análise do ducto venoso.

Como se preparar (e o que perguntar na hora do exame)

Exige preparo? Em geral, não. O Doppler vascular não demanda jejum nem suspensão de medicamentos. A orientação mais comum é ir com roupas confortáveis que permitam acesso à região a ser examinada. Já o Doppler abdominal pode requerer jejum de quatro a seis horas para melhorar a visualização das estruturas.

Tem radiação? Não. O exame utiliza ondas sonoras, a mesma tecnologia do ultrassom convencional, sem qualquer exposição à radiação ionizante. Por isso, é seguro em todas as fases da vida, inclusive durante a gestação.

Quanto tempo dura? A duração varia conforme a região avaliada, mas em geral fica entre 30 e 60 minutos.

Antes de ir ao exame, algumas perguntas ao médico podem ajudar a aproveitar melhor o resultado: qual estrutura será avaliada? Há achados anteriores que devem ser comparados? O resultado pode mudar a conduta imediatamente? “O laudo fornece informações que precisam ser contextualizadas clinicamente. O médico que acompanha o paciente é quem vai articular o resultado do Doppler com o quadro geral“, lembra Dr. Mekhitarian.

No IAI, além do Doppler convencional, estão disponíveis o Doppler transcraniano (para avaliação da circulação cerebral) e o Doppler para Escore MASEI, utilizado no rastreio de envolvimento articular em pacientes com espondilite anquilosante.

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Fontes:

Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534

Epidemiologia de varizes em municípios do Estado de São Paulo. Burihan, M.C. Repositório UNIFESP. Disponível em: https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/434446f2-2eb1-4641-aa81-abb0767ec2a1/download

Avaliação dos exames de rotina no pré-natal – Parte 2. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO/FEBRASGO), 2009. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/rbgo/uploads/arquivos/html/2009-31-avalia%C3%A7%C3%A3o-dos-exames-de-rotina-no-pr%C3%A9-natal-parte-2.html

Exame simples de ultrassom diagnostica doença de alto risco em gestantes. Comunica UFU / Faculdade de Medicina da UFU, 2023. Disponível em: https://comunica.ufu.br/noticia/2023/05/exame-simples-de-ultrassom-diagnostica-doenca-de-alto-risco-em-gestantes

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