Por que minha cabeça dói? As diferenças entre enxaqueca, cefaleia e dor de cabeça

Por que minha cabeça dói? As diferenças entre enxaqueca, cefaleia e dor de cabeça

Compreender as características de cada tipo de dor pode orientar o diagnóstico correto e evitar tratamentos inadequados

Você provavelmente já teve dor de cabeça, um sintoma que acompanha a maioria das pessoas em algum momento da vida. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia, a prevalência de cefaleia ao longo da vida é alta: 94% dos homens e 99% das mulheres já apresentaram o sintoma. Cerca de 70% das pessoas tiveram dor de cabeça no último ano. Nos ambulatórios, a cefaleia é a terceira queixa mais frequente, atrás apenas de infecções de vias aéreas e problemas digestivos.

Apesar de comum, a dor de cabeça nem sempre recebe a atenção devida. A confusão entre os termos e a automedicação podem mascarar problemas que exigem acompanhamento médico. Para começar, é preciso entender que cefaleia é o termo médico para qualquer dor de cabeça. A enxaqueca, por sua vez, é um tipo específico de cefaleia, assim como a cefaleia tensional e a cefaleia em salvas.

Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI), explica que a distinção entre os tipos de cefaleia é fundamental para o tratamento.

A enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça forte. É uma condição neurológica com características próprias, que pode vir acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Já a cefaleia tensional costuma ser mais leve, bilateral, com sensação de aperto ou pressão na cabeça. São quadros diferentes, que pedem abordagens diferentes”, esclarece.

De acordo com estudo epidemiológico nacional da Sociedade Brasileira de Cefaleia realizado com mais de 3.800 pessoas, a população brasileira apresenta 15,2% de enxaqueca, 13% de cefaleia tensional e 6,9% de cefaleia crônica diária.

As diferenças entre os principais tipos de cefaleia

A enxaqueca afeta cerca de 31 milhões de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença acomete três vezes mais mulheres que homens, com prevalência de até 25% entre o público feminino. O pico de incidência ocorre entre 30 e 39 anos, justamente a faixa etária economicamente ativa.

A enxaqueca pode se manifestar com ou sem aura. Dados do Ministério da Saúde mostram que 64% dos pacientes no Brasil apresentam enxaqueca sem aura, 18% com aura e 13% com e sem aura. A aura são sintomas neurológicos que antecedem a dor, como alterações visuais, pontos luminosos, linhas em ziguezague ou formigamentos. As crises duram entre quatro e 72 horas, geralmente são unilaterais e pulsantes, com intensidade moderada a intensa.

A cefaleia tensional é o tipo mais frequente de dor de cabeça no mundo. Caracteriza-se por dor bilateral, de intensidade leve a moderada, com sensação de aperto ou pressão. Não costuma vir acompanhada de outros sintomas além de eventual sensibilidade à luz ou ao som. Fatores como estresse, má postura, privação de sono e tensão muscular estão entre as principais causas.

Já a cefaleia em salvas é menos comum e acomete principalmente homens, numa proporção de quatro para uma mulher. A dor é extremamente intensa, unilateral, concentrada ao redor dos olhos ou na região temporal, e dura de 15 minutos a três horas. As crises podem ocorrer várias vezes ao dia, frequentemente no mesmo horário, especialmente à noite ou de madrugada. Vêm acompanhadas de lacrimejamento, vermelhidão ocular, congestão nasal e queda da pálpebra do mesmo lado da dor.

Quando procurar atendimento médico

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a enxaqueca está entre as doenças mais incapacitantes do mundo. Cerca de 90% de quem sofre dessa condição tem algum prejuízo no trabalho, nos estudos ou na vida pessoal. Por isso, a investigação adequada é fundamental.

A grande maioria das cefaleias primárias, como enxaqueca e cefaleia tensional, são diagnosticadas clinicamente, por meio da anamnese e do exame físico. Não é necessário realizar exames de imagem em todos os casos. No entanto, quando existem sinais de alerta, como mudança súbita no padrão da dor, início após os 50 anos, alterações no exame neurológico ou dores que acordam a pessoa durante a noite, a investigação por imagem se torna necessária“, orienta Dr. Armênio Mekhitarian.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, os exames de imagem mais indicados são a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. A tomografia é preferível em situações de urgência, para descartar hemorragias ou tumores. Já a ressonância magnética oferece imagens mais detalhadas e é indicada para avaliações mais aprofundadas, especialmente em casos de cefaleia crônica.

Outros exames podem ser solicitados conforme a suspeita clínica, como o Doppler transcraniano para avaliar o fluxo sanguíneo cerebral, exames laboratoriais para descartar causas infecciosas ou inflamatórias, e punção lombar quando há suspeita de infecções no sistema nervoso central ou hemorragia.

O diagnóstico correto orienta o tratamento adequado. Na enxaqueca, além do alívio das crises com medicamentos específicos, o tratamento preventivo é indicado quando há três ou mais crises por mês durante pelo menos três meses. Na cefaleia tensional, medidas não medicamentosas como prática de atividades físicas, correção de postura e técnicas de relaxamento são fundamentais. Já a cefaleia em salvas exige tratamento especializado, com uso de oxigênio durante as crises e medicamentos preventivos específicos.

O conhecimento das diferenças entre os tipos de cefaleia permite que o paciente busque ajuda no momento certo e receba o tratamento adequado. A automedicação pode agravar o quadro e levar ao que chamamos de cefaleia por uso excessivo de medicamentos. O acompanhamento médico é essencial para o controle adequado da dor“, conclui Dr. Armênio Mekhitarian.

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Fontes

Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534

Perfil epidemiológico do SUS: enxaqueca em caráter de urgência no Brasil, entre 2017 e 2021. Brazilian Journal of Development. Acesso em 09 de novembro de 2025. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/51361

Enxaqueca é incluída pela OMS no rol de doenças mais incapacitantes. Correio Braziliense. Acesso em 09 de novembro de 2025. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/revista/2018/01/15/interna_revista_correio,653392/enxaqueca-e-incluida-pela-oms-no-rol-de-doencas-mais-incapacitantes.shtml

Cefaléia/Enxaqueca. Ministério da Saúde – Biblioteca Virtual em Saúde. Acesso em 09 de novembro de 2025. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/56cefaleia.html

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