Por que a bebida alcoólica afeta o fígado e quais exames monitoram o órgão

Especialista explica como o álcool causa lesões hepáticas e destaca a importância da detecção precoce

Você sabia que o fígado processa mais de 90% do álcool consumido no organismo, transformando-o em substâncias menos tóxicas? Porém, esse processo gera compostos prejudiciais que danificam as células hepáticas progressivamente. Entre elas, a doença hepática alcoólica, que representa uma das principais causas de cirrose no Brasil, mas que pode ser detectada precocemente através de exames específicos.

O álcool é metabolizado principalmente pelo fígado através de duas enzimas: a álcool desidrogenase e a acetaldeído desidrogenase. Durante esse processo, são produzidos radicais livres e acetaldeídos, substâncias que causam inflamação e morte das células hepáticas“, explica Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).

Como o álcool danifica o fígado

O metabolismo do álcool no fígado consome oxigênio e produz substâncias tóxicas. O acetaldeído, principal metabólito do álcool, liga-se às proteínas celulares e altera seu funcionamento. Esse processo desencadeia uma cascata de reações inflamatórias que comprometem a regeneração hepática.

A doença hepática alcoólica manifesta-se em três estágios: esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose, que frequentemente se sobrepõem. O primeiro estágio, a esteatose, caracteriza-se pelo acúmulo de gordura nas células hepáticas e ocorre em praticamente todos os indivíduos que consomem álcool em excesso regularmente.

A hepatite alcoólica representa o segundo estágio, marcado por inflamação e necrose das células do fígado. Nesta fase, podem surgir sintomas como fadiga, dor abdominal e icterícia (pele amarela causada pelo acúmulo de bilirrubina no sangue). O estágio final, a cirrose, caracteriza-se pela substituição do tecido hepático funcional por tecido cicatricial, comprometendo irreversivelmente a função do órgão.

Quais exames detectam doenças hepáticas

Os exames mais utilizados para triagem de doenças hepáticas incluem os níveis séricos de aminotransferases, bilirrubinas e fosfatase alcalina. Calma, a gente explica (e descomplica): é com o hepatograma, conjunto de exames laboratoriais, que avalia diferentes aspectos da função hepática.

As transaminases (ALT e AST) indicam lesão das células hepáticas. Uma relação AST/ALT maior que 1 pode indicar doença hepática alcoólica, enquanto um valor menor que 1 pode ser indicativo de hepatite viral. A gama-glutamiltransferase (GGT) é particularmente sensível ao consumo de álcool, elevando-se mesmo com quantidades moderadas da bebida. Eles podem ser diagnosticados através do exame de sangue.

A bilirrubina total e frações avaliam a capacidade do fígado de processar essa substância. A albumina sérica reflete a capacidade de síntese proteica do órgão, enquanto o tempo de protrombina avalia a produção de fatores de coagulação.

Quando é hora de procurar um médico

Os primeiros estágios da doença hepática alcoólica são silenciosos. Nos estágios mais avançados, caracterizados por inflamação e fibrose, os sintomas incluem ascite, encefalopatia e hemorragias. Outros sinais incluem icterícia, fadiga persistente, dor no quadrante superior direito do abdômen e perda de peso inexplicada.

A elastografia hepática representa um avanço na avaliação não invasiva da fibrose hepática. O exame permite detectar alterações estruturais do fígado antes mesmo do aparecimento dos sintomas“, destaca Dr. Mekhitarian.

A detecção precoce é fundamental porque os estágios iniciais da doença hepática alcoólica são reversíveis. A mudança gordurosa e a hepatite alcoólica são provavelmente reversíveis, desde que haja interrupção completa do consumo de álcool e acompanhamento médico adequado.

A progressão da doença pode ser interrompida com mudanças no estilo de vida, incluindo abstinência alcoólica, dieta balanceada e exercícios regulares. O acompanhamento médico regular com exames periódicos permite monitorar a evolução do quadro e ajustar o tratamento conforme necessário.

Faça seu exame de imagem com segurança e tratamento humanizado

Para diagnósticos como elastografia hepática, Doppler, Doppler transcraniano, biópsia, ultrassom, ultrassom morfológico 4D, punção e core-biópsia guiadas por ultrassom e ultrassom dermatológico de alta frequência, conte conosco com toda a segurança e qualidade que você merece.

Também fazemos atendimento domiciliar em toda grande São Paulo. Conheça o serviço de home care em São Paulo e marque sua consulta pelo WhatsApp: (11) 95299-4702 | 95299-4703.

Se preferir atendimento presencial, o IAI está localizado na Rua Amaral Gama, 333 – cj 124, Santana, em São Paulo/SP.

Fique informado sobre temas de exame de imagem também nas redes sociais! Acesse nosso Instagram e compartilhe com seus amigos – nossos conteúdos são baseados em evidências científicas e ajudam a combater as fake news. Siga-nos!

Fontes:

Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534

Doença hepática alcoólica – Distúrbios hepáticos e biliares – Manuais MSD edição para profissionais. Acesso em 24 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/distúrbios-hepáticos-e-biliares/doença-hepática-alcoólica/doença-hepática-alcoólica

Exames laboratoriais para fígado e da vesícula biliar – Manuais MSD edição para profissionais. Acesso em 24 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/distúrbios-hepáticos-e-biliares/exames-para-distúrbios-hepáticos-e-biliares/exames-laboratoriais-para-fígado-e-da-vesícula-biliar

Esteatose hepática – Biblioteca Virtual em Saúde MS. Acesso em 24 de setembro de 2025. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/esteatose-hepatica/

Nenhum comentário

Sorry, the comment form is closed at this time.

WhatsApp Logo