O que significam as siglas nos exames de biópsia

O que significam as siglas nos exames de biópsia

Gleason, ISUP, Bethesda, BI-RADS: entender o que está escrito no laudo pode fazer diferença

Receber um laudo de biópsia com siglas desconhecidas é uma experiência que mistura alívio e confusão. “Gleason 3+4”, “ISUP 2”, “Bethesda IV”, “BI-RADS 4B” — cada conjunto de letras e números carrega uma informação clínica precisa, mas que, lida fora de contexto, pode provocar interpretações equivocadas ou ansiedade desnecessária.

O Brasil registrou, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 704 mil casos novos de câncer por ano no triênio 2023-2025. Entre os homens, o câncer de próstata lidera com 72 mil novos casos estimados anualmente; entre as mulheres, o câncer de mama encabeça a lista com 73 mil casos. Em ambos os cenários, a biópsia — e as siglas que aparecem em seus laudos — ocupa papel central no diagnóstico e na definição do tratamento.

O laudo é um documento técnico escrito por um médico para outro médico. Quando o paciente o lê antes de uma consulta, pode se assustar com termos que, no contexto correto, indicam situações controladas, ou pode se tranquilizar indevidamente diante de dados que requerem atenção“, afirma Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).

O que os sistemas de classificação de biópsia medem

As siglas que aparecem nos laudos de biópsia não são aleatórias. Cada uma delas representa um sistema de classificação desenvolvido por entidades científicas internacionais para padronizar a comunicação entre profissionais de saúde em todo o mundo.

A ideia é simples: ao usar uma linguagem comum, um médico patologista em São Paulo e um médico oncologista em Nova York falam sobre o mesmo dado sem margem para interpretações divergentes.

O sistema Gleason, criado pelo médico patologista Donald Gleason na década de 1960, avalia o grau histológico do câncer de próstata. O especialista analisa as células da biópsia ao microscópio e atribui uma nota de 1 a 5 aos dois padrões celulares mais presentes na amostra. Essas duas notas são somadas, resultando em uma pontuação que vai de 2 a 10.

Na prática clínica atual, somente pontuações a partir de 6 são consideradas câncer. Gleason 6 (3+3) corresponde a tumores de baixo grau; Gleason 7 (3+4 ou 4+3) indica risco intermediário — e aqui está um detalhe que costuma passar despercebido pelo paciente: 3+4 e 4+3 são situações diferentes. No primeiro, o padrão menos agressivo predomina; no segundo, o mais agressivo é dominante. Gleason 8, 9 ou 10 sinaliza tumores de alto grau, com risco estimado de metástase em 10 anos de cerca de 75%, segundo a literatura científica.

O sistema ISUP (International Society of Urological Pathology) surgiu para refinar essa classificação. Em uma conferência de consenso realizada em Chicago em 2014, a Sociedade Internacional de Patologia Urológica revisou os critérios de Gleason e propôs cinco grupos prognósticos — de ISUP 1 (tumores biologicamente indolentes) a ISUP 5 (os mais agressivos).

A mudança resolveu um problema antigo: a pontuação de Gleason 6, na escala de 2 a 10, sugeria visualmente estar no meio do intervalo — quando, na verdade, representa o grau mais baixo de diagnóstico. Hoje, nos laudos, ambos os sistemas costumam aparecer juntos.

Já o sistema Bethesda foi criado para padronizar os resultados das punções de nódulos de tireoide (PAAF — punção aspirativa por agulha fina). Desenvolvido em 2007 por um grupo de cientistas reunido em Bethesda, nos Estados Unidos, o sistema classifica os nódulos em seis categorias — de Bethesda I (material insatisfatório, sem células suficientes para análise) a Bethesda VI (maligno, com probabilidade de câncer entre 97% e 99%). As categorias intermediárias carregam percentuais de risco distintos: Bethesda II é benigno e inclui cerca de 60% a 70% dos casos; Bethesda III representa atipia de significado indeterminado, com risco de malignidade entre 13% e 30%; Bethesda IV aponta para neoplasia folicular, com risco de 23% a 34%; e Bethesda V indica suspeita de malignidade, com probabilidade entre 67% e 83%.

O BI-RADS (Breast Imaging-Reporting and Data System), por sua vez, é o sistema utilizado para classificar os achados em exames de imagem das mamas — mamografia, ultrassom morfológico e ressonância magnética. Desenvolvido pelo Colégio Americano de Radiologia (ACR) e adotado no Brasil, o sistema vai de 0 a 6 e orienta a conduta médica a partir de cada resultado. BI-RADS 1 significa exame normal; BI-RADS 4 indica achado suspeito que requer biópsia — subdividido em 4A (risco de malignidade entre 2% e 10%), 4B (11% a 50%) e 4C (51% a 95%); BI-RADS 5 aponta para achado altamente suspeito, com probabilidade superior a 95% de malignidade; e BI-RADS 6 é reservado para pacientes com diagnóstico de câncer já confirmado, geralmente em acompanhamento de tratamento.

Biópsia x ultrassom

Para que os sistemas de classificação como Bethesda e BI-RADS funcionem com precisão, é indispensável que o exame de imagem que antecede a biópsia — ou a orientação — seja realizado com qualidade técnica e lido por um profissional habilitado.

O ultrassom morfológico permite ao médico radiologista avaliar as características estruturais de um nódulo ou lesão: forma, margens, ecogenicidade, presença de calcificações, vascularização e outros parâmetros que compõem o perfil da lesão.

Essas informações são essenciais tanto para indicar a necessidade de biópsia quanto para orientar, em tempo real, a punção ou a core-biópsia guiada — procedimentos em que a agulha é direcionada com precisão ao local da lesão, aumentando a representatividade da amostra coletada.

Quando o ultrassom morfológico é feito com rigor técnico e interpretado por quem conhece os critérios de classificação, o resultado da biópsia chega ao especialista com um contexto muito mais completo. Não é só o número no laudo que importa, é a combinação da imagem com a análise anatomopatológica“, ressalta Dr. Mekhitarian.

Por que o paciente não deve interpretar o laudo sozinho

Ter acesso ao laudo antes da consulta médica é cada vez mais comum — e compreensível. Mas a leitura isolada de um resultado de biópsia pode levar a dois erros opostos igualmente prejudiciais: a subestimação de achados que requerem atenção imediata e a superestimação de situações clinicamente controladas.

Um exemplo claro está no Gleason 6: tecnicamente, é o escore mais baixo diagnosticável de câncer de próstata, associado a tumores de crescimento lento e excelente prognóstico — mas o número 6 em uma escala que vai até 10 pode soar ameaçador para quem não conhece o sistema. O oposto também ocorre: um Bethesda III pode ser interpretado como “resultado intermediário” e gerar falsa tranquilidade, quando, na verdade, demanda reavaliação e, em muitos casos, uma nova punção ou testes moleculares complementares.

A interpretação correta de um laudo de biópsia envolve cruzar os dados anatomopatológicos com o histórico clínico do paciente, os exames de imagem anteriores, os marcadores laboratoriais (como PSA, no caso da próstata) e o perfil de risco individual. Nenhuma sigla, isoladamente, define uma conduta.

O laudo informa. O médico interpreta. Essa distinção é fundamental para que o paciente tome decisões com base em dados reais e não em interpretações parciais de um documento técnico“, diz Dr. Mekhitarian.

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Fontes:

Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534

Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2022/inca-estima-704-mil-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-ate-2025

American College of Radiology. ACR BI-RADS Atlas, 5th Edition. Disponível em: https://www.acr.org/Clinical-Resources/Reporting-and-Data-Systems/Bi-Rads

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