Confira mitos e verdades sobre ultrassom transcraniano
Médico radiologista esclarece dúvidas que circulam entre pacientes — de radiação a preparo, passando por limitações que muitas vezes não chegam ao consultório
Alguns exames podem gerar dúvidas e um deles é o ultrassom transcraniano. O nome já intimida: transcraniano soa complicado, e parte dos pacientes chega ao serviço de diagnóstico sem entender direito para que serve, se dói, se emite algum tipo de radiação ou se precisa de preparo. Algumas dessas crenças estão corretas. Outras, nem de longe.
Para desfazer os principais mitos e confirmar as verdades, ouvimos o Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI). Confira a seguir!
- “O exame emite radiação”
Mito. O ultrassom transcraniano utiliza ondas sonoras de alta frequência — não radiação ionizante, como a usada em tomografias computadorizadas e radiografias. Isso significa que o exame pode ser repetido quantas vezes forem necessárias, sem risco de exposição acumulada.
“Justamente por não envolver radiação, o ultrassom transcraniano é um método seguro para acompanhamento de longo prazo. Pacientes com doença falciforme, por exemplo, podem precisar realizá-lo anualmente durante anos“, explica Dr. Armênio Mekhitarian.
- “O exame causa dor”
Mito. O procedimento é indolor, não requer anestesia e não exige sedação. O transdutor é posicionado sobre regiões específicas da cabeça do paciente — geralmente a região temporal, à frente da orelha — e deslizado com um gel condutor. O paciente permanece deitado ou sentado durante todo o exame.
- “É preciso fazer jejum antes do exame”
Mito, com ressalva. O ultrassom transcraniano não exige jejum nem preparo medicamentoso. No entanto, médicos recomendam evitar cafeína e tabaco antes da realização, pois essas substâncias interferem na dilatação das artérias e podem alterar os resultados de velocidade de fluxo. Chegar alimentado normalmente é a orientação padrão.
- “O exame funciona da mesma forma em crianças e adultos”
Mito. Essa é uma das diferenças que menos chegam ao conhecimento dos pacientes — e até de parte dos médicos solicitantes. Em adultos, o ultrassom transcraniano se vale da chamada janela acústica, uma região do osso temporal que, por ser mais fina, permite a passagem das ondas sonoras. Em bebês e recém-nascidos, a técnica utiliza a fontanela — a “moleira” —, que ainda não se fechou. Esse tipo de exame, chamado de ultrassonografia transfontanelar, é a técnica de escolha para avaliar o cérebro de neonatos e lactentes. Após o fechamento da fontanela anterior, que ocorre geralmente entre 9 e 18 meses de vida, essa abordagem deixa de ser viável.
- “O exame serve apenas para investigar AVC”
Mito. O Doppler transcraniano é, de fato, amplamente utilizado na investigação de doenças cerebrovasculares — incluindo AVC isquêmico e hemorrágico, vasoespasmo após hemorragia subaracnóidea e estenoses intracranianas. Mas as indicações vão além. O ultrassom transcraniano de parênquima cerebral é indicado para auxiliar no diagnóstico diferencial da doença de Parkinson, TDAH, doença de Wilson, síndrome das pernas inquietas e algumas formas de distonia.
- “O ultrassom transcraniano não tem indicação pediátrica estabelecida”
Mito. Uma das indicações mais bem fundamentadas do exame é justamente em crianças. O Ministério da Saúde, por meio da Portaria SAS nº 473/2013, estabeleceu protocolo específico de uso do Doppler transcraniano como procedimento ambulatorial na prevenção primária do AVC em pacientes com doença falciforme entre 2 e 16 anos. A anemia falciforme, doença genética que atinge cerca de 8% da população negra no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, é responsável por casos frequentes de complicações cerebrovasculares na infância.
- “O resultado do exame fecha um diagnóstico sozinho”
Mito. Este é talvez o ponto de maior incompreensão clínica. O ultrassom transcraniano é um método complementar — ele contribui para o raciocínio diagnóstico, mas raramente encerra uma investigação por conta própria.
“O médico solicitante precisa entender o que o exame pode e o que ele não pode oferecer. Um Doppler transcraniano normal não exclui doença cerebrovascular; um achado alterado na substância negra apoia o diagnóstico de Parkinson, mas não o confirma de forma isolada. A integração com a clínica e com outros métodos de imagem, como a ressonância magnética, é sempre necessária“, afirma Dr. Mekhitarian.
- “Qualquer pessoa pode realizar o exame sem dificuldades técnicas”
Verdade parcial. A principal limitação do ultrassom transcraniano em adultos é a qualidade da janela acústica — a espessura do osso temporal pode impedir a passagem adequada das ondas sonoras em alguns pacientes, especialmente mulheres mais idosas e pessoas com ossos cranianos mais espessos. Quando a janela óssea é inadequada, a qualidade da imagem fica comprometida ou o exame pode ser inconclusivo. Além disso, regiões próximas ao transdutor, estruturas da base do crânio e áreas corticais altas têm acesso limitado pela técnica.
- “O exame pode ser realizado à beira do leito”
Verdade. Os aparelhos de ultrassom são portáteis, o que permite a realização do exame em pacientes internados, em cadeira de rodas, em unidades de terapia intensiva ou até mesmo em casa — sem necessidade de transporte ou sedação. Essa flexibilidade é uma das principais vantagens do método em relação a outros exames de neuroimagem.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria SAS nº 473, de 26 de abril de 2013. Protocolo de uso do Doppler Transcraniano como procedimento ambulatorial na prevenção do acidente vascular encefálico em pacientes com doença falciforme. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2013/prt0473_26_04_2013.html
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