Canetas emagrecedoras: como elas agem no organismo e as diferenças entre elas
Medicamentos injetáveis para perda de peso ganharam espaço no tratamento da obesidade, mas exigem prescrição e acompanhamento médico rigoroso
O crescimento da obesidade no Brasil tornou-se uma questão de saúde pública preocupante. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), do Ministério da Saúde, mostram que 34,66% da população brasileira estavam com algum nível de obesidade em 2024.
O número de pessoas com obesidade mórbida ou grau III atingiu mais de 1,1 milhão de brasileiros no mesmo período. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, 68% da população brasileira apresenta excesso de peso, sendo que 31% têm obesidade e 37% têm sobrepeso.
Nesse contexto, os medicamentos injetáveis para emagrecimento ganharam destaque, especialmente as chamadas “canetas emagrecedoras”. Entre os princípios ativos mais conhecidos estão a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida, substâncias que atuam no controle do apetite e no metabolismo da glicose.
“Esses medicamentos representam um avanço no tratamento da obesidade, mas não são fórmulas mágicas. Eles funcionam melhor quando integrados a mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada e prática regular de atividade física“, explica Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).
Como os medicamentos agem no organismo
Os medicamentos injetáveis para emagrecimento pertencem à classe dos agonistas dos receptores de GLP-1 (peptídeo 1 semelhante ao glucagon), hormônio produzido naturalmente no intestino.
A liraglutida, comercializada como Saxenda, Victoza, Olire e Lirux, é aplicada diariamente. A semaglutida, presente no Ozempic, Wegovy e Rybelsus, tem aplicação semanal ou oral diária. Já a tirzepatida, conhecida como Mounjaro, possui aplicação semanal.
O mecanismo de ação dessas substâncias envolve três processos principais: aumento da secreção de insulina pelo pâncreas, redução da produção de glucagon e retardo no esvaziamento gástrico. Esse último efeito promove saciedade mais prolongada, o que leva à redução do apetite e, consequentemente, à perda de peso.
A tirzepatida apresenta um diferencial: além de atuar nos receptores de GLP-1, também age nos receptores de GIP (polipeptídeo inibidor gástrico), o que potencializa seu efeito na redução de peso. Estudos clínicos demonstram que essa dupla ação resulta em perda de peso superior quando comparada aos medicamentos que atuam apenas no GLP-1.
Diferenças entre os princípios ativos
As principais diferenças entre os medicamentos estão na frequência de aplicação, potência e resultados esperados. A liraglutida, por ter ação mais curta, requer aplicação diária e promove perda de peso média de 8% do peso corporal. A semaglutida, com aplicação semanal, apresenta resultados entre 10% e 15% de redução de peso. A tirzepatida, por sua vez, demonstra perda de peso média entre 15% e 21%.
O estudo SURMOUNT-5, publicado em 2025 no The New England Journal of Medicine, comparou diretamente a tirzepatida com a semaglutida. Após 72 semanas, os participantes que usaram tirzepatida perderam em média 20,2% do peso corporal, enquanto os que utilizaram semaglutida perderam 13,7%. Além disso, 64,6% dos pacientes com tirzepatida alcançaram perda de pelo menos 15% do peso, comparado a 40,1% dos que usaram semaglutida.
“Os resultados dos estudos são animadores, mas é fundamental que o paciente entenda que cada organismo responde de forma diferente aos medicamentos. O acompanhamento médico permite ajustes de dose e identificação precoce de efeitos colaterais“, ressalta Dr. Armênio Mekhitarian.
Os efeitos colaterais mais comuns incluem náuseas, diarreia, constipação e vômitos, geralmente mais intensos no início do tratamento. Em casos raros, podem ocorrer pancreatite, cálculos biliares e problemas renais. Por isso, esses medicamentos têm contraindicações importantes: não devem ser usados por pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer medular de tireoide, síndrome neoplásica endócrina múltipla tipo 2, ou pancreatite aguda ou crônica.
Prescrição médica e acompanhamento são essenciais
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou em abril de 2025 que os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida passassem a exigir retenção de receita, com validade de 90 dias. A medida visa coibir a automedicação e o uso inadequado, que aumentam o risco de efeitos adversos graves.
O tratamento com esses medicamentos requer avaliação médica criteriosa. As indicações aprovadas incluem diabetes tipo 2 não controlado com outras terapias e obesidade ou sobrepeso acompanhados de comorbidades como hipertensão, dislipidemia ou apneia do sono. A prescrição deve considerar o histórico de saúde do paciente, interações medicamentosas e capacidade de adesão ao tratamento.
“A obesidade é uma doença crônica complexa que exige abordagem multidisciplinar. O uso desses medicamentos sem orientação profissional pode trazer riscos à saúde. É preciso considerar exames prévios, avaliar contraindicações e fazer ajustes conforme a resposta individual“, enfatiza Dr. Mekhitarian.
Os dados mostram que a interrupção do tratamento sem acompanhamento adequado pode resultar em reganho de peso significativo. Estudos indicam que pacientes que descontinuam o uso das medicações sem manutenção de hábitos saudáveis podem recuperar grande parte do peso perdido.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Obesidade atingiu a marca de 9 milhões de pessoas no Brasil em 2024. Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Acesso em 27 de outubro de 2025. Disponível em: https://sbcbm.org.br/obesidade-atingiu-a-marca-de-9-milhoes-de-pessoas-no-brasil-em-2024/
Um a cada três brasileiros vive com obesidade, mostra relatório global. Agência Brasil. Acesso em 27 de outubro de 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-03/um-cada-tres-brasileiros-vive-com-obesidade-mostra-relatorio-global
Diabetes e obesidade: liraglutida, tirzepatida e semaglutida, qual é melhor? Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo. Disponível em: https://www.sbemsp.org.br/diabetes-e-obesidade-liraglutida-tirzepatida-e-semaglutida-qual-e-melhor/
Aronne LJ, Horn DB, le Roux CW, et al. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-5). The New England Journal of Medicine. 2025. Disponível em: https://portugues.medscape.com/verartigo/6512758
Boletim Epidemiológico Volume 55 Nº 7. Ministério da Saúde. 16 de abril de 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2024/boletim-epidemiologico-volume-55-no-07.pdf
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