O que o ultrassom dermatológico pode diagnosticar?

O que o ultrassom dermatológico pode diagnosticar?

Exame mede a espessura e a profundidade de lesões da pele, apoia o planejamento cirúrgico e, em alguns casos, pode evitar biópsias desnecessárias

Quando uma pinta muda de cor ou um nódulo aparece sob a pele, o primeiro passo é o olhar do médico dermatologista, geralmente com apoio do dermatoscópio. Esse método avalia muito bem a superfície, mas não mostra o que acontece abaixo dela. É nesse ponto que entra o ultrassom dermatológico.

O tema importa pelo volume de casos. Segundo a Estimativa 2026-2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 263 mil novos casos de câncer de pele não melanoma por ano no triênio, mais de 30% de todos os diagnósticos oncológicos do país.

Como funciona o ultrassom dermatológico de alta frequência

O ultrassom dermatológico de alta frequência usa o mesmo princípio do ultrassom convencional, mas com transdutores de frequência bem mais alta. Quanto maior a frequência, melhor a resolução da imagem em estruturas superficiais, o que permite enxergar as camadas da pele e o tecido logo abaixo. Sondas de 20 MHz são as mais usadas na avaliação pré-operatória do melanoma, e aparelhos de 8 a 14 MHz são empregados na rotina para exibir melanomas cutâneos.

O exame não usa radiação. Com ele, o médico consegue medir a espessura de uma lesão, observar seus limites e verificar se ela se aprofunda para estruturas vizinhas, informações que o exame visual não entrega.

O que o ultrassom dermatológico ajuda a avaliar

Na prática, o exame tem três aplicações principais. A primeira é a avaliação pré-cirúrgica de lesões suspeitas, quando o cirurgião precisa saber a profundidade do tumor antes de definir a extensão da retirada. A segunda é o acompanhamento de cistos e tumores benignos, que podem ser medidos e comparados ao longo do tempo. A terceira é o apoio ao estadiamento de lesões malignas, quando necessário.

No melanoma, a espessura do tumor, conhecida como índice de Breslow, é o principal fator prognóstico e define as margens de ressecção e a indicação de biópsia do linfonodo sentinela.

“Com o ultrassom, conseguimos medir a espessura do tumor e verificar se ele está se espalhando para tecidos mais profundos ou linfonodos próximos”, afirma o Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI). “Isso é fundamental para o estadiamento do melanoma e para decidir se será necessário um tratamento cirúrgico mais extenso ou outras formas de terapia”.

Ultrassom dermatológico e biópsia: um exame não substitui o outro

O ultrassom dermatológico não fecha diagnóstico sozinho. A biópsia, com análise do material em laboratório de anatomia patológica, segue como o exame definitivo para confirmar ou descartar a presença de células cancerosas. O que o ultrassom faz é dar mais informação antes dessa decisão. Segundo o Dr. Mekhitarian, em muitos casos, os dados obtidos no exame podem evitar biópsias desnecessárias e permitir um acompanhamento mais direcionado das lesões. Quando a biópsia é necessária, ela pode ser guiada por ultrassom.

Quem notar mudança de tamanho, forma ou cor em uma lesão, ou uma lesão que sangra ou não cicatriza, deve procurar um médico dermatologista. É ele quem avalia se o ultrassom dermatológico pode complementar a investigação.

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Fontes:

Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534

Estimativas de Câncer no Brasil: Triênio 2026-2028. Revista Brasileira de Cancerologia, INCA, 2026; 72(2). Acesso em 21 de outubro de 2026. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/download/5587/4309/52637

Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, estima Inca (263 mil de pele não melanoma). Portal Afya, fev. 2026. Acesso em 21 de outubro de 2026. Disponível em: https://portal.afya.com.br/oncologia/inca-projeta-aumento-dos-casos-de-cancer-no-brasil-entre-2026-e-2028

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