Qual a diferença do ultrassom das mamas e da mamografia?
Entender qual é o mais indicado em cada caso depende da idade, da densidade do tecido mamário e do motivo da investigação
É comum a paciente sair do consultório com a dúvida se poderia ter feito só um dos dois exames. A confusão faz sentido, porque tanto o ultrassom das mamas quanto a mamografia avaliam a mesma região, mas com tecnologias e finalidades diferentes.
Ultrassom das mamas ou mamografia
A mamografia é o exame validado internacionalmente para rastreamento populacional do câncer de mama, ou seja, para investigar mulheres sem sintomas. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda a mamografia bienal para mulheres de 50 a 69 anos desde 2004, posição reafirmada em revisão feita pelo próprio instituto em 2024. O Ministério da Saúde, no entanto, não restringe o acesso ao exame por demanda para mulheres entre 40 e 49 anos e acima de 74 anos, desde que orientadas sobre riscos e benefícios da prática fora da faixa etária recomendada.
Segundo a publicação Estimativa 2026-2028 do INCA, o câncer de mama deve responder por 78.610 novos casos por ano no Brasil nesse período, o equivalente a 30% de todos os diagnósticos oncológicos entre mulheres.
Quando o ultrassom das mamas entra no lugar da mamografia
O ultrassom não usa radiação e sua acurácia não depende da densidade do tecido mamário, características que fazem dele o exame de escolha em situações específicas. É o caso de mulheres com menos de 35 anos que sentem um caroço ou nódulo palpável, de gestantes e lactantes, e da investigação inicial de qualquer alteração clínica nessa faixa etária, quando a mamografia tem indicação mais limitada.
“O ultrassom permite diferenciar com boa precisão um cisto simples de um nódulo sólido, e é o exame que direciona uma eventual biópsia quando algo suspeito é identificado“, explica Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).
Por que a densidade do tecido muda a resposta
A densidade mamária é o principal fator que interfere na sensibilidade da mamografia. Tecido mamário denso aparece claro na imagem, exatamente como um tumor, o que pode mascarar lesões e gerar resultados falso negativos. É por isso que sociedades médicas recomendam o ultrassom como exame complementar à mamografia em mulheres com mamas densas, embora ele não deva substituir a mamografia nessas pacientes, já que tem limitações para identificar microcalcificações, um dos sinais mais precoces de câncer de mama.
“Não existe um exame melhor que o outro de forma isolada. Existe o exame certo para cada situação, e é aí que entra a avaliação clínica antes da solicitação. Uma mulher de 30 anos com nódulo palpável não tem a mesma indicação de uma mulher de 55 anos em rastreamento de rotina“, afirma Dr. Mekhitarian.
Quando o resultado do ultrassom ou da mamografia aponta uma alteração que precisa de confirmação, a biópsia guiada por imagem é o próximo passo, permitindo a coleta de tecido com o paciente ainda no mesmo turno de atendimento e sem necessidade de internação na maioria dos casos.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Posicionamento do INCA sobre faixa etária para rastreamento do câncer de mama. Acesso em 25 de setembro de 2026. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//posicionamento_inca_rastreamento_do_cancer_de_mama.pdf
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil. Acesso em 25 de setembro de 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2026/inca-estima-781-mil-novos-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-entre-2026-e-2028
CNN Brasil. Inca estima 78,6 mil casos de câncer de mama no Brasil para 2026. Acesso em 25 de setembro de 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/inca-estima-786-mil-casos-de-cancer-de-mama-no-brasil-para-2026/
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