Ultrassom das mamas e mamografia: qual a diferença entre eles
Entender a diferença ajuda a paciente a compreender por que, muitas vezes, um complementa o outro
É uma dúvida recorrente no consultório: “se já fiz a mamografia, por que o médico pediu também o ultrassom das mamas?” A pergunta faz sentido, porque os dois exames analisam a mesma região do corpo, mas cada um enxerga algo diferente.
O câncer de mama é o tumor mais incidente entre as mulheres brasileiras, descontados os casos de pele não melanoma. Segundo a Estimativa 2026-2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 78.610 novos casos por ano no país durante o triênio, o que representa um risco estimado de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres.
Mamografia: o exame de referência para o rastreamento
A mamografia segue sendo o exame de escolha para detectar o câncer de mama antes que ele dê sintomas. O rastreamento por mamografia pode reduzir em até 40% a mortalidade pela doença, de acordo com sociedades médicas. Recentemente, o Ministério da Saúde atualizou sua diretriz e passou a permitir que mulheres a partir dos 40 anos façam a mamografia mesmo sem sintomas, desde que haja indicação médica.
Apesar da recomendação, a cobertura no Brasil ainda está longe do ideal. Dados do DATASUS mostram que, em 2022, foram feitas cerca de 2,5 milhões de mamografias no país, alcançando menos de 40% das mulheres entre 50 e 69 anos, patamar bem abaixo da meta de 70% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde.
“A mamografia continua sendo o exame recomendado porque consegue identificar microcalcificações e pequenos nódulos muito antes de eles serem percebidos ao toque“, afirma Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI). “É um exame validado por décadas de estudo e que, sozinho, já reduz de forma comprovada a mortalidade pela doença“.
Quando o ultrassom das mamas entra na investigação
O ponto central para entender a diferença entre os dois exames é a densidade do tecido mamário. Mamas densas têm mais tecido glandular do que gordura, e isso dificulta a leitura da mamografia, porque tanto o tecido normal quanto um eventual tumor aparecem claros na imagem. Estudos indicam que a alta densidade mamária pode reduzir a sensibilidade da mamografia entre 30% e 48%.
Segundo posicionamento conjunto de sociedades médicas brasileiras, a ultrassonografia não deve ser usada como método isolado de rastreamento, mas é sempre indicada como complemento à mamografia em mulheres com mamas densas. O exame também é a primeira escolha em situações específicas, como gestação, amamentação e mulheres com menos de 40 anos, faixa em que o tecido mamário costuma ser naturalmente mais denso.
“O ultrassom das mamas tem grande utilidade justamente onde a mamografia encontra limitação. Em mamas densas, o tecido aparece de um jeito diferente na imagem do ultrassom, o que facilita identificar nódulos que poderiam passar despercebidos“, explica Dr. Mekhitarian. “Também é o exame de escolha para diferenciar um cisto de um nódulo sólido, informação que muda completamente a conduta“.
Ultrassom das mamas na prática
Além da densidade mamária, o ultrassom das mamas é solicitado quando a mamografia aponta um achado que precisa de mais detalhamento, quando há um nódulo palpável, ou quando a paciente não pode ser exposta à radiação, como no caso de gestantes. A classificação dos achados, tanto na mamografia quanto no ultrassom, segue o sistema BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System), que orienta o médico sobre o risco de malignidade e a conduta recomendada.
“Um exame não substitui o outro, eles conversam entre si. A decisão de pedir ultrassom, mamografia ou os dois juntos depende do histórico da paciente, da idade e da composição do tecido mamário“, diz o especialista. “O importante é que a mulher entenda que, se o médico pediu os dois exames, não é excesso de cuidado, é porque cada um responde a uma parte diferente da investigação“.
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Fontes:
Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534
Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil. Instituto Nacional de Câncer (INCA), fev. 2026. Acesso em 2 de agosto de 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2026/inca-estima-781-mil-novos-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-entre-2026-e-2028
Outubro Rosa: cobertura da mamografia no Brasil continua abaixo da meta da OMS. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), out. 2025. Acesso em 2 de agosto de 2026. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/2230-outubro-rosa-cobertura-da-mamografia-no-brasil-continua-abaixo-da-meta-da-oms
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