O que é o câncer não melanoma e por que exige sua atenção

O que é o câncer não melanoma e por que exige sua atenção

O tumor mais frequente no Brasil responde por mais de 30% de todos os diagnósticos oncológicos, mas ainda é tratado com descaso

Toda vez que o INCA divulga suas estimativas de incidência de câncer no Brasil, o câncer de pele não melanoma aparece no topo da lista. A publicação Estimativa 2026-2028, lançada em fevereiro deste ano, projeta 263 mil novos casos anuais desse tipo de tumor no triênio. É tanto que o INCA opta por apresentá-lo em separado dos demais cânceres, justamente por seu peso desproporcionalmente alto na soma total.

O dado não surpreende quem vive num país com a irradiação solar do Brasil. Mas ainda surpreende muita gente descobrir que esse tumor, considerado “menos grave” por boa parte da população, pode sim matar quando o diagnóstico chega tarde.

CBC e CEC: o que diferencia os dois tipos principais

O câncer de pele não melanoma não é um único tumor. O termo agrupa diferentes tipos, sendo os dois mais frequentes o carcinoma basocelular (CBC) e o carcinoma espinocelular (CEC).

O CBC responde por cerca de 70% a 80% dos casos. Ele se origina nas células da camada mais profunda da epiderme e costuma aparecer como uma lesão elevada, de aparência perolada ou rosada, que pode formar crosta, sangrar ou parecer uma ferida que não cicatriza. O crescimento é lento e, na maior parte dos casos, o tumor não se espalha para outros órgãos. A chance de metástase é de aproximadamente 0,03% dos casos, o que o torna altamente curável quando tratado cedo.

O CEC é o segundo tipo mais comum, presente em 20% a 25% dos diagnósticos. Ele acomete as células escamosas da camada externa da pele e se manifesta, com frequência, como uma ferida avermelhada, áspera, descamativa, com bordas irregulares.

Diferente do CBC, o espinocelular tem comportamento mais imprevisível: quando não tratado, pode atingir camadas mais profundas da pele e se disseminar para linfonodos e, em casos mais avançados, para pulmões e fígado. A taxa de metástase do CEC varia entre 2% e 5% dos casos, um número que parece baixo, mas se torna significativo diante do volume de diagnósticos no país.

Quem adoece mais e por quê

O principal fator de risco para os dois tipos é a exposição cumulativa à radiação ultravioleta, seja pelo sol ou por câmaras de bronzeamento artificial. A conta se acumula ao longo da vida, o que explica por que a doença é mais frequente a partir dos 40 anos e tem incidência maior após os 60.

Os grupos com risco aumentado incluem pessoas com pele, olhos e cabelos claros; histórico de queimaduras solares na infância e adolescência; trabalhadores que ficam expostos ao sol cronicamente; imunossuprimidos, especialmente transplantados de órgãos; e pacientes com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele.

Um ponto que ainda causa surpresa é que pessoas de pele escura também podem desenvolver câncer não melanoma, especialmente o CEC. A melanina oferece proteção parcial, não imunidade. E o diagnóstico nessa população tende a chegar mais tarde, porque a percepção de risco é menor.

Quando o diagnóstico tarda

O CBC raramente apresenta risco de vida quando detectado em estágio inicial, e o tratamento cirúrgico tem altíssima efetividade. O problema começa quando a lesão cresce por tempo demais sem avaliação: ela pode se aprofundar em estruturas vizinhas, como nervos, cartilagem ou osso, tornando a cirurgia mais extensa e o resultado estético mais comprometido.

O CEC exige atenção redobrada. Em lesões avançadas, a abordagem cirúrgica pode precisar ser associada à quimioterapia ou radioterapia, e o prognóstico depende diretamente de quanto o tumor avançou antes de ser identificado.

É nesse contexto que o ultrassom dermatológico de alta frequência entra como recurso de avaliação pré-cirúrgica. O exame gera imagens detalhadas das camadas internas da pele, permitindo medir a profundidade e extensão da lesão antes de qualquer procedimento.

Com o ultrassom, conseguimos medir a espessura do tumor e verificar se ele está se espalhando para tecidos mais profundos ou linfonodos próximos. Isso é fundamental para o estadiamento e para decidir se será necessário um tratamento cirúrgico mais extenso ou outras formas de terapia“, afirma Dr. Armênio Mekhitarian, médico radiologista e diretor técnico do Instituto Avançado de Imagem (IAI).

O exame complementa a dermatoscopia e o exame clínico, auxilia no planejamento cirúrgico e no estadiamento, e pode ainda facilitar a biópsia guiada por imagem quando há necessidade de confirmação histológica.

Quando consultar um médico

A recomendação da Sociedade Brasileira de Dermatologia é que qualquer pessoa faça consulta com dermatologista ao menos uma vez por ano. Para grupos de risco, a periodicidade pode ser menor.

Lesões que merecem avaliação imediata incluem feridas que não cicatrizam em quatro semanas, manchas que crescem ou mudam de aparência, lesões que sangram sem trauma e nódulos que aparecem em áreas de exposição solar crônica.

A tecnologia avançou muito. Mas ela só cumpre seu papel quando o paciente chega até o exame. O diagnóstico precoce depende tanto de equipamentos de ponta quanto de acesso, informação e escuta clínica“, diz Dr. Mekhitarian.

O autoexame é útil, mas não substitui o olho clínico do especialista. Observar a própria pele com regularidade, especialmente em áreas de exposição solar frequente, é o primeiro passo para chegar mais cedo ao consultório.

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Fontes:

Dr. Armênio Mekhitarian – Diretor Clínico do Instituto Avançado de Imagem – Médico Radiologista – CRM SP 59.512 | RQE 45534

Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil. Instituto Nacional de Câncer (INCA), fev. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2026/inca-estima-781-mil-novos-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-entre-2026-e-2028

O que é carcinoma espinocelular. Câncer de Pele Brasil. Disponível em: https://cancerdepelebrasil.org/carcinoma-espinocelular/

Importância da Ultrassonografia Dermatológica no diagnóstico precoce, estadiamento e tratamento do câncer de pele. Sociedade Brasileira de Ultrassonografia (SBUS). Disponível em: https://sbus.org.br/campanha-dezembro-laranja/

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